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Clássicos na última rodada? Nada muda!

Se o modelo de 2012 fosse aplicado na última rodada da competição deste ano, haveria redução no número de jogos decisivos.

Maurício Capela

05 de dezembro de 2014 | 15h31

As razões são muitas e os argumentos também. Passam pela necessária preocupação com a segurança do público no estádio, com a dificuldade em se ter ao mesmo tempo alguns jogos na mesma cidade, o que impacta o transporte, o comércio, enfim, a vida das pessoas de maneira geral. Mas tem um argumento que potencializa o debate: a competitividade desportiva.

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF), desde o Campeonato Brasileiro de 2012, tomou a decisão de repensar a última rodada. Em outras palavras, o último round do Brasileirão deixou de ter os clássicos regionais, que sempre apimentam qualquer disputa a qualquer tempo.

É claro que pesou na decisão da entidade muito dos argumentos já citados. Mas será que foi uma boa ideia? Principalmente em um momento que surgem informações sobre transferências de jogadores que atingem os envolvidos na luta pela permanência na Série A ou ainda a respeito se determinada equipe mandará ou não a campo os seus principais atletas?

A ver… Dos 10 jogos da última rodada do Brasileirão deste ano, cinco valem algo. Corinthians e Criciúma na luta pela Libertadores de 2015, como também Figueirense e Internacional, além da briga para fugir do descenso de Palmeiras e Atlético Paranaense, Coritiba e Bahia, Vitória e Santos.

Mas o que aconteceria se a fórmula de 2012 fosse colocada em campo na última rodada deste ano? Bom, a lógica manda dizer que quatro dos 10 jogos teriam peso decisivo na última volta da competição.

Hipoteticamente, poderia-se imaginar um confronto entre Corinthians e São Paulo, Grêmio e Internacional, brigas exclusivas por Libertadores, além de Vitória e Bahia, que seria certamente chamado de mata-mata dado ao potencial de ambos caírem juntos para a segunda divisão. E o clássico Santos e Palmeiras, de interesse exclusivo dos palmeirenses na luta pela permanência na Série A.

No mais… Nem AtleTiba, Flamengo e Botafogo, Fluminense e Criciúma, Atlético e Cruzeiro, Figueirense e Chapecoense, Sport e Goiás teriam algo a acrescer à competição.

Mas o cenário ainda poderia ser pior… Caso Corinthians e Palmeiras passassem a ser o clássico escolhido para a última volta do certame, uma vez que reduziria para três a quantidade de jogos decisivos na 38º rodada do Brasileiro de 2014.

É claro, é claro que é sempre muito difícil trabalhar com cenários, uma vez que sabendo desses confrontos na última rodada alguns clubes certamente teriam adotado outra postura ao longo do certame. Mas diante desse hipotético horizonte cabe perguntar: a gritaria não está exagerada?

Parece que sim! Afinal, no formato 2014, chega-se à ultima rodada com cinco jogos valendo muita coisa, contra quatro, ou até três, do modelo de 2012 aplicado a este ano.

Portanto, a reflexão também manda dizer que quando a competitividade desportiva é preservada, as demais questões já levantadas têm o mesmo sacro direito de pedir a palavra.

E nesse caso, ainda que possa existir alguma distorção ética ali ou acolá, como por exemplo um clube dar incentivo para outro se interessar em um jogo que lhe favoreça, os demais pontos acabam vencendo a batalha da razão, colocando no banco de reservas a dose cavalar de emoção que se espera do momento derradeiro do Campeonato Brasileiro de 2014!

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