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Clubes europeus redescobrem jovens talentos brasileiros

Ex-Santos, Felipe Anderson é cobiçado pelo Manchester United e Casemiro, ex-São Paulo, foi comprado "duas vezes" pelo Real Madrid, indicando que talvez os clubes brasileiros alcem cedo demais suas promessas para o time principal.

Maurício Capela

15 de junho de 2015 | 15h01

Em crise… Em permanente crise, o futebol brasileiro vive um duro processo de esvaziamento dentro de campo. Se antes, nos anos 90 do século passado, negociar um jogador no País significava vender um atleta com idade ao redor entre 23 e 24 anos para um clube europeu, hoje, comercializar um jogador brasileiro é exportar ou um jovem talento (18 ou 19 anos) para o Velho Continente ou um atleta de 30 anos para o futebol asiático e “mundo árabe”.

Eis a realidade do futebol verde-amarelo neste início de século XXI. Uma realidade que se traduz à perfeição na Seleção Brasileira e também na maneira como se rotulam os jovens talentos por aqui.

É por isso que, após passar um tempo no mercado europeu, de maneira geral, há quem se surpreenda com o fato de o Manchester United estar disposto a desembolsar quase R$ 150 milhões para ter Felipe Anderson, um atleta questionado até outro dia no Santos. Ou fique boquiaberto com a maneira definitiva que o Real Madrid agiu ao resolver pagar antecipadamente mais R$ 30 milhões ao Porto para ter de volta Casemiro, ex-São Paulo.

Portanto, exemplos não faltam. Mas o que parece é que, longe de particularizar, os garotos são alçados ao time principal no Brasil sem que estejam minimamente prontos. E com tantos tapinhas nas costas e assédio, fica praticamente impossível trazê-los de volta ao “planeta Terra”. 

Só que ao desembarcarem na Europa, onde o nível de competitividade tem se mostrado superior em relação ao futebol no País, o choque de amadurecimento vem instantaneamente. E na voltagem 22o!

No Velho Continente, portanto, os jovens jogadores brasileiros não têm saída… Ou se estabelecem ou ganham uma passagem aérea de retorno em direção ao Brasil ou a mercados secundários.

É claro que no Brasil há um componente financeiro importante à mesa. Sem dúvida! Mas há também a necessidade em tomar consciência a respeito da precocidade desses jovens atletas.

Sem essa leitura, os clubes do País vão continuar rifando esses nascentes talentos sem saber ao certo se fazem um negócio da China ou se, na verdade, estão vendendo antes do tempo. Bem antes do tempo!

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