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Convocação do Sub-20 escancara falência do modelo de futebol no Brasil

Dos 21 chamados, três jovens atletas estão nas categorias de base de potências europeias e se isso não for debatido, em breve, os clubes brasileiros terão dificuldades até para formar jogadores de futebol.

Maurício Capela

15 de maio de 2015 | 20h04

O movimento é lento, mas é potencialmente letal. Ter entre os 21 convocados de uma Seleção Brasileira Sub-“qualquer idade”, três atletas de clubes europeus é a ponta de uma “montanha”, cujo “monte” não começou a receber “terra” ontem, há um mês ou há um ano. Essa terra vem sendo cuidadosamente depositada há pelo menos uma década!

É um cenário que foi sendo construído baseado na sedução. Na sedução financeira, cultural e social. Afinal, atuar, e de quebra viver, na Europa parece sempre a muitos uma excelente ideia. Como resistir?

Pois é, não resistiram! E o reflexo imediato é que às portas do Mundial Sub-20, o Brasil, de cinco títulos mundiais, tem um atleta que já atua no Olympique de Marselha, o Alef; outro no Manchester United, Andreas Pereira; e mais um, Jean Carlos, atacante do Real Madrid.

Se esse cenário não for considerado preocupante, o que mais poderia ser entendido como alerta pelos clubes e entidades do País?

É claro que cada um tem o sacro direito de ir e vir, de escolher onde deseja fixar residência, de trabalhar, estudar… E nem é esse o ponto! A discussão, neste caso, é mais assertiva e aponta o dedo na direção da infraestrutura das agremiações verde-amarela.

Considerar normal um jovem atleta se desenvolver profissionalmente em clubes do exterior deveria imediatamente nos conduzir a repensar o modelo adotado no País. Um modelo, que antes da era do marketing esportivo e do futebol como um produto de entretenimento, foi competente em garimpar e formar a base das seleções que levantaram por cinco vezes a Copa do Mundo. Mas ele, pelo jeito, já não funciona mais!

Tanto não funciona que esses e outros garotos observaram que seria uma boa não se aventurar pelas categorias de base dos grandes clubes do País e aceitar o desafio de se desenvolverem nas potências europeias. Algo estarrecedor! Porque se a situação é essa na Seleção Sub-20, imagine nas categorias inferiores, como Sub-17, por exemplo!

É claro que há uma questão econômica nesse processo, mas é um erro entregar a camisa 10 da “Culpa Futebol Clube” a ela! Há muito mais por debater e entender.

Agora, se o debate não acontecer e isso for encarado como normal e natural, logo, virará regra. E o efeito será devastador, porque vai colocar em situação ainda mais delicada os clubes brasileiros. E não há futebol sem clubes!

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