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Cuca e Tite, um duelo à parte no Paulistão

Com seis jogos realizados sob seu comando, o treinador do Palmeiras deu vida ao meio de campo e cara de ofensividade à equipe.

Maurício Capela

04 de abril de 2016 | 13h57

A temporada mal começou no futebol brasileiro. A parte mais difícil do ano ainda está por desembarcar e os favoritos de hoje podem assumir o papel de carta fora do baralho rapidamente, assim como os azarões podem alterar a perspectiva.

É justamente nesse franco diálogo, que o clássico deste domingo tenha dado talvez a melhor contribuição em forma de lembrete. Considerado favorito, com justiça, o Corinthians sucumbiu taticamente ao bom desenho estratégico montado pelo técnico Cuca do Palmeiras.

Linhas adiantadas, movimentação pelo lado esquerdo, flutuação dos atacantes e troca de passes consistentes no meio de campo insinuam outro caminho ao Palmeiras. Os tempos de bola sobrevoando o setor central parecem ter chegado ao fim e a ausência de um sistema de pressão em direção à defesa adversária também.

O Palmeiras de Cuca promete, mas ainda está longe de ser possível imaginar se vai entregar ou não. E aqui não há relação com o resultado, até porque o time viu a derrota de perto que somente não se materializou em função de Fernando Prass.

Portanto, o que deve ser considerado é o sistema de jogo que se constrói no Alviverde. O Palmeiras insinua ser outro.

Ao Corinthians, cabe alguma reflexão. Também não pelo resultado, mas sim pela maneira como não conseguiu se desvencilhar do Palmeiras. Exibiu fraqueza na primeira bola do setor defensivo, mostrou dificuldades em segurar a movimentação palmeirense consistente pelo lado esquerdo, e viveu de contragolpes esporádicos, fruto da boa velocidade de Lucca.

O Corinthians foi outro. Diferente dos últimos jogos, preso em uma armadilha que ele próprio faz com absoluta maestria, qual seja: a de sufocar o adversário em seu campo de defesa.

Em outras palavras, o Corinthians de Tite ainda não está pronto para uma temporada intensa como a que se imagina para 2016. Falta ainda um jogador capaz de ditar o ritmo no meio de campo. Um papel desempenhado à perfeição por Jadson no ano passado. Encontrar esse meia não é fácil. É artigo de luxo no futebol brasileiro e mesmo mundial.

Em suma, mais uma vez o clássico deste domingo demonstrou claramente que a pressa por resultados desestabiliza objetivo maior. A cobrança desproporcional também. Pressa e cobrança pertencem às arquibancadas, mas jamais devem invadir as confortáveis salas de presidência. Ali, deve reinar a análise e os números, sempre com uma dose reflexiva, que até deve vir carregada de alguma crença, ainda que seja emocional, mas jamais dominante.

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