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De placa!

Defesa do jovem goleiro Vladimir do Santos, além de lembrar o feito de Rodolfo Rodríguez também pelo Santos, mostra como a alma de um estádio de futebol passa longe do concreto armado e perto de lances, momentos e feitos.

Maurício Capela

06 de abril de 2015 | 15h00

Um estádio de futebol é até feito de muito cimento, vigas, tijolos e um suor humano danado. Mas se ali a bola não rolasse, se ali o esforço individual não tivesse existido, certamente, seria mais uma construção. Mais uma entre tantas que disputam palmo a palmo o espaço e a atenção dos moradores de pequenas ou grandes cidades.

Estádios ou arenas vivem dos feitos que o destino reserva. Alimentam-se das grandes jogadas, das decisões, das vitórias épicas e das sofridas derrotas. E é assim, só assim que se distinguem uns dos outros, ora colocando a coroa de Templo da Bola ora de um simples lugar onde se pratica o esporte bretão.

Vladimir, o atual goleiro do Santos, talvez ainda não tenha dimensão de sua performance no confronto diante do Corinthians. Seu desempenho jogou para escanteio até o resultado do jogo, o empate por 1 a 1, e transformou um clássico bom em uma partida ótima.

Contudo, há uma boa possibilidade de o feito de Vladimir não ganhar qualquer reconhecimento. Passar como se nunca tivesse existido, como se defesa tripla à queima roupa fosse algo comum no futebol. Mas não é!

Uma das mais marcantes foi proporcionada também por um goleiro do Santos. Um uruguaio de nome Rodolfo Rodríguez y Rodríguez, que praticou uma defesa quíntupla em dois momentos de um mesmo lance no longíquo 1984 contra o América de São José do Rio Preto em partida pelo também Campeonato Paulista.

É claro que não há como escalonar feitos. Ambos, no caso, foram monumentais, mas para sorte de Vladimir, a dele aconteceu em um novíssimo estádio e diante de um rival, o Corinthians.

Ainda assim, há uma boa chance dessa defesa passar completamente em brancas nuvens por quem deveria preservar a memória do futebol brasileiro: os clubes. Talvez por rivalidade, talvez por não se sentir confortável em presentear um clube adversário, a defesa de Vladimir terá boas chances de ser lembrada somente por quem lá esteve, na Arena Corinthians, e de quem depois viu e reviu nos diversos programas de televisão.

Lances como o de Vladimir só fazem bem ao futebol. E ainda que o Corinthians sequer avente um regalo no formato de uma placa comemorativa, o Santos, como clube que gestou o atleta por anos e anos, deveria fazê-lo. Deveria presenteá-lo!

Esse gesto, independente de onde venha ou de quem parta, sinalizaria que um estádio, uma arena é muito mais que um corpo de concreto armado. É preciso alma para preenchê-lo ou preenchê-la. E alma depende de lances, de momentos, de jogadas como essa de Vladimir.

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