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Diego Aguirre, mais uma vítima do Resultado Futebol Clube

Mal completou cinco meses de trabalho, Aguirre deixou o Atlético Mineiro, após eliminação para o São Paulo e perda do Mineiro para o América, mas com que régua se deve medir o desempenho de um técnico? Só vale resultado? E filosofia de jogo, concepção tática não devem fazer parte da análise?

Maurício Capela

19 de maio de 2016 | 16h07

Resultado. Não é futebol bem jogado, articulado, montado ou pensado. O que vale no futebol brasileiro é a tão singela palavra “resultado”. O resto é conversa… Conversa que jamais vira prática. A não ser nos clubes de menor expressão. E só!

Audax, Matonense, Salgueiro, São Caetano ou Ituano, entre outros, são exemplos cabais de que planejamento, estratégia, noção de realidade e objetividade podem conviver no universo do futebol e podem amealhar títulos.

Mas como são clubes menores, acabam por perder seus melhores atletas a cada temporada de sucesso, o que naturalmente lhes tira a possibilidade de brigar no ano seguinte. Algo que deveria ser facilmente entendido, mas que costuma embaralhar o raciocínio.

Embaralha, porque não se faz a óbvia relação. Qual seja: clubes menores, receita baixa, despesa sempre ali na linha do máximo, investimento nem sempre corrente e, portanto, a necessidade em se desfazer daqueles que correspondem a cada ano. É simples!

Em outras palavras, na roda gigante do futebol, esse encadeamento impede que os pequenos virem médios e depois se agigantem. Pelo menos, por ora…

Mas a questão deste post é outra. É sobre a insana necessidade de obter resultados, sem se considerar o processo, dos clubes grandes do Brasil. Diego Aguirre é só mais um. Mas não será o último da temporada 2016.

Ao perder o campeonato Mineiro, veja, Aguirre ficou na corda bamba. Faz sentido? Nenhum. E por que nenhum? Porque o trabalho do treinador não tem sequer seis meses e o campeonato regional, afinal, é tido como algo menor, pequeno, não é mesmo? Então, não deveria entrar na conta, mas entra!

Se Aguirre pediu para sair ou se foi o Atlético que o demitiu, isso é bom apenas para língua portuguesa, porque o que derruba ou mantém um técnico em clube de massa no País é só o resultado. Só!

Se não o é, então, diga lá… Aguirre taticamente errou no Atlético? Influenciou nas duas derrotas do Galo neste ano, América Mineiro e São Paulo? Não conseguiu conduzir o grupo psicologicamente? Criou problemas de relacionamento insustentáveis? Qual foi o tipo de treino que Aguirre colocou em prática no dia a dia do Galo? Esteve em linha com a filosofia global? Esteve antenado com o que rola mundo afora?

Então… Depois de colhidas tais respostas, e feitas outras perguntas com os devidos pensamentos, aí se analisa e se chega a alguma conclusão. Não ao contrário!

Como isso nem de longe é feito, a vida do treinador de time grande no Brasil tem se tornado insuportável. E se um sujeito quiser comandar um clube de massa implantando alguma filosofia tática ou crença qualquer, sem se incomodar com o resultado, por favor, o abrace! Porque ele é um herói… Um herói da bola!

Trocando em miúdos, a cartilha manda dizer que o que vale é vencer, jogando de qualquer jeito, inclusive. Em sendo, portanto, fica difícil esperar algo diferente mesmo da ponta da pirâmide, a Seleção Brasileira.

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