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Dispensa Futebol Clube começa Brasileirão com 100% de aproveitamento

Três rodadas, três técnicos já demitidos, quando o ideal seria que, a mudança no comando de um time e no projeto de trabalho fosse executado no fim da temporada brasileira.

Maurício Capela

26 de maio de 2015 | 15h57

A dispensa de Vanderlei Luxemburgo mantém a triste média no futebol brasileiro da primeira divisão. Qual seja? A de que um técnico é retirado de seu posto a cada rodada. E essa não é uma prática nova. Nas 17 primeiras rodadas da Série A de 2014, por exemplo, 16 técnicos foram demitidos!

Portanto, se assim a crença for mantida, é bem provável que boa parte dos 20 treinadores da Série A será dispensada ao longo do certame. Só não serão todos, porque alguns clubes ainda vão se valer desse expediente pelo menos mais uma vez na competição e porque no Brasil não se demite quem ganha.

Perder, ser contratado ou trocar de emprego faz parte do rito de toda atividade profissional no Brasil e no mundo. O problema no futebol do País é que praticamente não há convicção nem na contratação nem na dispensa. Tudo parece demasiadamente maleável, inclusive a escolha do momento do desligamento.

É bem verdade que demitir ou contratar, principalmente, treinador é um sacro direito da diretoria de qualquer clube. Afinal, quem assina o cheque tem por obrigação dar rumos à nau!

A grande questão reside justamente na hora em que a decisão é tomada. Trocar de treinador e mudar a filosofia de trabalho combinam mais com fim da temporada do que com início dos trabalhos.

Por quê? Porque é justamente naqueles meses finais de temporada, como aliás toda grande companhia faz religiosamente anualmente, é que se deve debruçar sobre os números, indicadores, informações e sacramentar a avaliação do que está sendo feito. E assim se decidir pela permanência ou pela troca!

Só assim, levando a cabo esse precioso rito, conseguiria-se diminuir a quantidade de erros, valorar os acertos e impactar positivamente o caixa, uma vez que até multas contratuais poderiam deixar de existir.

O Real Madrid, depois de duas temporadas com o italiano Carlo Ancelotti, deu “bye bye”ao treinador. Mas o adeus foi sacramentado ao fim da temporada e não no meio ou no início. Uma atitude que faz muita diferença, não só dentro de campo, mas principalmente no aspecto financeiro.

O mesmo fez o alemão Borussia Dortmund, que precisou aceitar o adeus de Jurgen Klopp, no clube desde 2002. Um fim, que mesmo com contrato para terminar somente em 2018, foi anunciado nos extertores do ano 2014/2015.

Em outras palavras, exemplos de boa gestão na hora do adeus estão espalhados pelo mundo e pelo Brasil. A própria segunda passagem de Tite no Corinthians se encerrou ao fim da temporada 2013 de maneira acordada.

Portanto, seria interessante que os clubes do País contratassem “fulano”, porque conhecem o trabalho do sujeito ou porque as ideias do cidadão coadunam-se com o pensamento que está sendo implementado na agremiação para, no mínimo, um período de 12 meses. Porque aparentemente a sensação é outra.

Na maioria das vezes, o que se vê é que o novo treinador desembarca no time para apagar incêndio, que ora diz respeito a uma queda para a divisão inferior ora pode ter como objetivo fazer aquele jogador trazido a peso de ouro render…

Raramente, o motivo principal, fundamental e essencial diz respeito ao planejamento. Algo que cada vez mais parece peça de ficção no mundo da bola verde-amarelo.

 

 

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