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Disputa regional veio para ficar na Libertadores

Clubes brasileiros ostentam 17 conquistas, mas 12 delas vieram somente a partir dos anos 90, fruto da contextualização das disputas regionais em ambiente internacional.

Maurício Capela

18 de fevereiro de 2015 | 15h13

A Copa Libertadores de América sempre foi um ponto de interrogação para os clubes brasileiros. De meros participantes até o fim dos anos 80, com raríssimas exceções, as agremiações verde-amarelas finalmente colocaram a bola no chão e a partir dos anos 90, clube brasileiro e Libertadores passaram a ser uma dobradinha obrigatória pelos gramados do continente latino-americano.

A dobradinha somente aconteceu, porque a postura mudou, fruto do interesse dos times locais e de suas rivalidades regionais. Depois da vitória do São Paulo em 1992 e 1993 na Libertadores, para os clubes paulistas rivais, vencer virou obsessão.

O resultado prático é que nunca mais, desde então, desde os anos 90, o futebol brasileiro repetiu o jejum de 13 anos sem conquistar um título de Libertadores, marcado pelo intervalo entre o bicampeonato do Santos em 1963 e a conquista do Cruzeiro em 1976.

Após esse jejum, o maior período de estiagem vivido pelo futebol nacional nessa competição se deu entre a conquista do Grêmio em 1983 e a coroação do trabalho do técnico Telê  Santana à frente do São Paulo, em 1992.

Foi justamente esse desempenho do Tricolor, com a conquista inclusive dos mundiais de clubes, que não levavam esse nome, mas valiam tanto quanto, que o futebol brasileiro abriu os dois olhos novamente em relação à América.

Depois das vitórias de Telê Santana, que não só colocou um ponto final em sua fama de pé frio, um mito longe de ser verdade, mas que estava ancorado nos fracassos nas Copas do Mundo de 1982 e 1986, é que, principalmente, o futebol paulista entrou em campo na Libertadores. Antes desse desempenho, só havia o Santos e o vice-campeonato do Palmeiras, de Ademir da Guia e “Academia”, em 1968, frente os argentinos do Estudiantes.

Na edição deste ano, fica claro, inclusive, como a representatividade estadual tomou conta dessa competição. Além dos rivais paulistas, Corinthians e São Paulo, os dois gigantes mineiros, Atlético Mineiro e Cruzeiro, estão lá. E o Internacional, que faz um trabalho consistente no Brasileirão ano após ano, mesmo não levando o título nacional, mais uma vez marca sua presença.

O fato é que o interesse veio para ficar. Primeiro, porque os clubes brasileiros cada vez mais vão se conscientizando sobre como é importante a internacionalização. E depois porque a Copa Libertadores de América virou a principal competição dos primeiros cinco meses de cada ano no calendário verde-amarelo, o que aflora a disputa regional em nível internacional.

Hoje, ganhar a Libertadores tem o mesmo gosto das vitórias épicas dos Estaduais dos anos 60 e 70. E vencê-la significa dar um enorme passo rumo à internacionalização, o que nos dias de futebol globalizado, é quase uma obrigação para as grandes equipes brasileiras. Em outras palavras, quem não tem Libertadores no curriculum, sente-se menor perante o rival local.

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