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Ecos de bom senso no Futebol Brasileiro

CBF incorpora pontos da proposta do Bom Senso Futebol Clube e, pelo jeito, pretende tornar difícil a vida da agremiação que faz da dívida o seu 12º jogador.

Maurício Capela

15 de janeiro de 2015 | 15h18

Às vésperas do início da temporada de futebol no Brasil, a Confederação Brasileira de Futebol colocou o preto no branco. Em outras palavras, lançou uma série de medidas que, se levadas a cabo, certamente vão dar mais confiabilidade ao sistema financeiro dos clubes verde-amarelos. Um conjunto de ações que, se ainda não atingiu o patamar ideal, era caro ao Bom Senso Futebol Clube.

Penalizar as agremiações por erros administrativos, como atraso de salários a funcionários e jogadores, além do não recolhimento de impostos às esferas governamentais, é um gol de placa! Já havia passado da hora de os clubes nacionais serem chamados à responsabilidade tal qual qualquer outra iniciativa empresarial e de caráter voluntário que se faz no Brasil.

No entanto, a inclusão de medidas duras no Regulamento Geral das Competições de 2015 vai servir como teste à capacidade de se punir de maneira igualitária o clube de menor poder político-econômico-midiático e aquele tratado como gigante no mundo da bola no Brasil. Será um teste dos melhores à essa tentativa de se fortalecer as instituições do futebol no País.

Uma das decisões que mais despertarão a curiosidade na hora em que se avizinhar a aplicação diz respeito ao trinômio: perda de pontos e exclusão das competições, além do rebaixamento à divisão inferior do clube infrator. Medidas corretíssimas, frise-se.

Mas no Brasil, infelizmente, algumas leis costumam virar letra morta. “Não pegam”, diz o dito popular.

Não pegam, porque na hora de aplicar a tal da lei, ora a lei, o que se observa é um mar de procedimentos e de recursos muito bem interpostos que jogam no limbo do tempo a aplicação da legislação que no papel era perfeita.

Portanto, caberá a quem comanda o futebol demonstrar claramente no campo jurídico que a lei veio para envergar a camisa “dez” e que interpor, debater, justificar, apesar de ser inerente ao Estado Democrático de Direito, e que bom que o é, não serão capazes de impedir a aplicação das novas regulamentações. Farão parte do jogo, mas não serão “craques” a serviço da obstrução à lei.

Aos clubes, a letra da legislação pode soar como um “carrinho frontal”no início da partida, mas certamente os ajudará a separar o joio do trigo. Clubes com mais responsabilidade fiscal sairão na frente na hora de contratar jogadores, técnicos, profissionais de futebol e estarão de cabeça erguida no momento em que começarem a negociar com investidores do esporte.

Em outras palavras, abre-se uma possibilidade de se premiar a competência, assim como se deu há uma década, quando o sistema de pontos corridos foi introduzido no Brasil. Ou seja, a meritocracia, desta vez, poderá finalmente sair da condição de reserva e disputar de vez a condição de titular neste time chamado “Futebol Brasileiro”!

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