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Entressafra na Copinha

Tradicional competição de futebol júnior chega às oitavas de final sem que alguns jogadores sejam apontados como candidatos à revelação.

Maurício Capela

16 de janeiro de 2015 | 18h36

Era como um relógio. A cada janeiro de um novo ano, dezenas de garotos se reuniam à espera de que o milagre da profissionalização se materializasse. Jovens de vários cantos do Brasil, que já faziam parte da categoria de base de clubes tradicionais, arrumavam as malas, separavam a melhor chuteira e punham-se a sonhar… E como sonhavam!

Afinal, o “Olimpo” era logo ali. Tinha endereço e tudo: Estádio Paulo Machado de Carvalho, o Pacaembu. E a data para passar no “vestibular”da bola também já era previamente conhecida: 25 de janeiro.

Foi assim entre 1969, data da primeira Copa São Paulo de Futebol Júnior, que na oportunidade chamava-se tão somente Taça São Paulo, até meados dos anos 90. Nessa época, a atenção de imprensa, dos dirigentes e do público em geral tinha cadeira cativa. Em comum, todos queriam saber quem seria a revelação do torneio, quem poderia assumir o posto de postulante a craque no time principal.

Foi assim com o Sport Club Internacional ao revelar Paulo Roberto Falcão e com o Clube Atlético Mineiro ao apresentar ao mundo da bola Toninho Cerezo, ambos em 1972. Edinho, o então zagueiro promissor do Fluminense, também carimbou definitivamente seu passaporte na Copinha de 73.

Mas o surgimento de grandes jogadores não se limitou aos anos 70. Na década de 90, a Portuguesa apresentou Dener e o Flamengo Djalminha. O Vasco mostrou o atacante Valdir e logo depois revelou mais um artilheiro: Mário Jardel. Não tardou e o São Paulo deu vazão ao talento de Kaká, consagrando a vocação da Copinha em revelar jovens promissores.

Só que de uns anos para cá, a Copinha parece estar com o pé torto. Não se sabe ao certo se é pela quantidade de clubes na disputa, que em 2015 atingiu o recorde de 104 agremiações, ou se simplesmente reflete o atual estágio de entressafra do futebol brasileiro. Não se sabe…

Mas o fato é que a esta altura do campeonato, ou seja, nas oitavas de final, a competição já teria apontado o dedo em direção a uma dúzia de garotos, todos candidatos a craques do futuro. Algo que parece distante neste ano, até porque a impressão é de que os clubes andam recebendo mais atenção do que exatamente as jovens promessas.

Quer ver? Entre as 16 equipes classificadas, a que chama mais atenção é o Goiânia Esporte Clube, além do São Caetano. E ambas pelo mesmo motivo: ressurgimento. O São Caetano, por exemplo, desde a ascensão meteórica nos anos 2000, vem amargando rebaixamentos sucessivos no time principal. E o Goiânia, que já faturou 14 estaduais, hoje amarga a segunda divisão do campeonato goiano.

Já entre os favoritos, os tradicionais São Paulo, Fluminense, Grêmio, Corinthians, Flamengo e Atlético Mineiro têm demonstrado preparo na categoria de base e reúnem condições para brigar pelo título.

Desse pelotão de elite, quem chama a atenção é o Corinthians. Atual Campeão Paulista Sub-20, o Timão tem demonstrado força dentro de campo. Outro que promete é o São Paulo, que sempre conta com jogadores promissores, principalmente após o investimento feito no centro de treinamento em Cotia (SP).

Fica, portanto, a impressão de que é uma Copa São Paulo de Futebol Júnior um tanto diferente, marcada principalmente pela força coletiva de um grupo de jogadores e não exatamente pelo talento individual de um ou outro garoto. E todos debaixo do enorme “guarda-chuva” que a camisa de um grande time de futebol sempre oferta. Novos tempos? Talvez… Um tempo de raro talento!

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