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Era uma vez um Clássico!

Em um palco repleto de nostalgia, o estádio do Pacaembu, o Santos vai enfrentar a Portuguesa em um jogo que já decidiu campeonatos paulistas, que já teve "rei"e "príncipe" e gols de placa.

Maurício Capela

20 de fevereiro de 2015 | 20h04

Consta ali, na tabela do Campeonato Paulista de 2015, que a sexta rodada reservaria um confronto que por anos nunca precisou de incentivo algum para ser chamado de clássico. Qual é o jogo? Portuguesa e Santos.

Desnecessário dizer que ambos já decidiram títulos paulistas, que já ostentaram “príncipes” e “reis” e que já tiveram gols de placa em seus jogos. Mas esse Santos e Portuguesa versão 2015 em nada lembra esse histórico confronto.

Hoje, quem olha a tabela, não demora mais do que segundos para cravar que o Santos é o favorito no jogo. De longe, tem o time mais acertado, com mais recursos e que provavelmente terá a maior parte do Estádio Paulo Machado de Carvalho, o Pacaembu, a seu favor. Aliás, nada mais nostálgico que o palco para esse confronto no domingo.

Em outras palavras, não foi o tom alvinegro que perdeu brilho neste clássico. Foi o verde-vermelho que desbotou. A Lusa dos dias de hoje em nada lembra o vigor de outros tempos.

Outrora rotulado de clássico, o jogo deste fim de semana marca o encontro de um time em busca de compasso técnico, tático e financeiro e um clube à beira de uma situação economicamente inviável. Em outras palavras, respectivamente, Santos e Lusa.

Com a ameaça de que um processo de impeachment possa atingir o atual presidente do clube, Ilídio Lico, além de se ver obrigada a disputar a Série C do Campeonato Brasileiro, a Portuguesa bravamente ainda consegue respirar. E mais… Consegue sonhar com uma classificação à segunda fase do Campeonato Paulista, algo inimaginável em novembro de 2014, quando o clube afundou em direção a terceira divisão nacional.

Portanto, não foi o Santos que tirou o charme, o interesse e o vigor desse clássico. Não! Isso foi obra da própria Portuguesa, que tratou de ano após ano, a contar desde 2002, quando caiu pela primeira vez à segunda divisão nacional, consumir um dos mais importantes valores de um clube de futebol: o respeito do adversário.

Se trazido para o fim dos anos 90, esse Lusa e Santos seria um jogo para capturar olhos de quem gosta de futebol. Afinal, de um lado estaria o líder do Grupo 4 e no outro a vice-líder do Grupo 3.

É claro, é claro, que a fórmula nada atraente do campeonato colabora, mas ainda assim seria um jogo capaz de chamar a atenção. Afinal, fórmulas atraentes nunca foram o forte dos campeonatos estaduais.

À Portuguesa, portanto, o que resta é trilhar novamente o caminho, que deverá ser mais árduo, mais difícil e mais complicado que no passado, uma vez que o clube perdeu a carruagem do marketing esportivo e em decorrência disso seus cofres andam vazios. Para a Lusa, não há fórmula mágica, a não ser a tabelinha entre “muito trabalho” e “seriedade”.

Já ao Santos, cabe se impor como time grande que o é. E vencer a Portuguesa.

Mesmo que os santistas e os jogadores olhem para a camisa rubro-verde como quem olha uma miragem. Sim, porque no domingo, no estádio do Pacaembu, será a Portuguesa que entrará em campo, ainda que não seja àquela Portuguesa a subir os degraus do vestiário. Àquela Lusa que um dia quase todo o Brasil torceu e que resolveu chamá-la de sua, de sua “namorada”!

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