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Estaduais minguam a céu aberto

No Paulista, os grandes venceram e ainda marcaram três gols; no Rio, somente o Flamengo empatou entre os principais times; e em Minas Gerais, nem Atlético e tampouco Cruzeiro tomaram conhecimento de seus adversários.

Maurício Capela

02 de fevereiro de 2015 | 15h18

Foi dado o pontapé inicial para a temporada de futebol no Brasil em 2015! E já na primeira rodada ficou novamente bem claro que existe um abismo entre os times considerados grandes e as forças do interior de cada estado. Salvo um feito heróico ali, outro acolá, o fato é que os gigantes da bola no País demonstraram que a pré-temporada caiu muito bem!

Sim, porque àquela história do time grande entrar cambaleando na competição estadual, porque os jogadores não tiveram dias suficientes para realizar a pré-temporada, aparentemente ficou para trás. E o pretenso equilíbrio dos times menores, que tiravam proveito desse cenário, preparando-se com antecedência, também.

Mesmo longe do ideal, esses 30 dias claramente foram bem utilizados pelos principais clubes do País. E o que se viu, além de excursões e amistosos internacionais, que sem dúvida ajudam na internacionalização de suas marcas, foram equipes com bom preparo físico dentro de campo. O jogo, portanto, fluiu, ainda que a evolução somente aconteça ao longo da temporada deste ano.

É justamente aí que reside o centro do debate. A pré-temporada funcionou tão bem que a pergunta será inevitável: por que não se amplia e se institucionaliza de vez?

Até porque a primeira rodada dos estaduais confirmou a sensação, que cresce a cada ano, de que essas competições não têm mais razão para existir. Elas parecem estar minguando por si só em um processo lento, gradual, mas que parece ter um destino: a extinção.

Se um dia deixarem de existir, de fato, alguns clubes do interior do País vão encerrar as atividades. É inexorável! Mas a pergunta que fica é se esses clubes já não existem mais e são, na verdade, apenas “zumbis” do futebol verde-amarelo.

O assunto é complexo e passa por um drástico rearranjo do mundo da bola no Brasil. Algo que não é mais possível fugir ao debate.

Colocar um ponto final nos campeonatos estaduais significa valorizar os maiores clubes do Brasil, abrir espaço para sua internacionalização e dar um passo em direção ao profissionalismo. Mas também significa colocar em xeque clubes tradicionais. É, de fato, um amargo efeito colateral, mas que não se pode mais ignorar.

A discussão, portanto, deveria ser pró-ativa, objetivando criar uma infraestrutura que pudesse reduzir drasticamente o encerramento das atividades dessas agremiações menores. E não tentar desviar o olhar, porque está próximo o dia em que até os pequenos dirão “não” aos estaduais, simplesmente porque a conta não mais fechará!

 

 

 

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