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Fifa, as eleições foram apenas o primeiro round

O que está aparentemente em jogo é a manutenção do atual status da entidade como representante maior do futebol no mundo.

Maurício Capela

29 de maio de 2015 | 19h46

Serão quatro emocionantes anos pela frente. Emocionantes, porque pela primeira vez na trajetória de Joseph Blatter na Fifa, o futebol está sob suspeita. Ainda não se sabe ao certo o tamanho, o lastro, como, mas o esporte mais popular do planeta está imerso em uma enorme crise.

Mas Blatter, ao se candidatar para um novo mandato de presidente da entidade e vencê-lo pela quinta vez consecutiva, sinaliza que deseja dar conta desse tenebroso cenário. E mais! Assegura que ao cabo desses quatro anos, a Fifa estará fortalecida e longe das turbulências dos dias atuais.

Só que antes de completar os 48 meses à frente da entidade, Blatter provavelmente se verá obrigado a lidar com alguns imediatos conflitos. E tem tudo para ser algo já para os próximos dias e semanas, não para meses.

Portanto, há risco real de Blatter ter vencido o pleito de uma Fifa e ter que terminar seu mandato comandando uma entidade enfraquecida ou numericamente menorEm outras palavras, o que está em jogo é a sustentabilidade da Fifa como órgão máximo do futebol. E isso depende de algumas variáveis, como tempo e Estados Unidos. 

 

Depende, porque os desdobramentos da investigação norte-americana têm potencial para rachar de vez a entidade, promover uma rebelião ou até untar novamente os membros da “família Fifa”.

É um cenário de difícil prognóstico neste momento, mas que traz a sensação de que o processo eleitoral na Fifa, ainda que no circunspecto operacional já tenha terminado, está longe do fim.

As declarações soltas de entidades descontentes, como a Uefa, ou de personalidades, como a do ex-jogador Luís Figo, candidato dois meses atrás à presidência da Fifa, revelam o desejo por renúncia. Mas podem também indicar que, daqui por diante, vão existir outras frentes de batalha, a dos bastidores e a midiática. E as duas aparentemente não estarão sozinhas. Estarão provavelmente amarradas também ao tempo e ao movimento da Justiça dos Estados Unidos.

Ou seja, caso essas variantes de fato se interliguem, tempo – Justiça dos Estados Unidos – bastidores – mídia, a bola definitivamente não estará mais na Suíça, na sede da Fifa. E sim em Washington, nos Estados Unidos.

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