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Fla-Flu no Pacaembu é “gol” do Flamengo

Dono da quinta maior torcida na cidade de São Paulo, o Flamengo cada vez mais se acostuma a jogar na terra bandeirante, ocupando o vácuo deixado por Portuguesa e o vazio funcional do Pacaembu, uma combinação que em se repetindo vai transformando o Rubro-Negro no único clube verdadeiramente nacional.

Maurício Capela

17 de março de 2016 | 16h00

A conta é simples. E o objetivo também. Flamengo e Fluminense poderiam fazer esse jogo, válido pelo Campeonato Estadual, em qualquer localidade brasileira, mas escolheram São Paulo. E fizeram bem! Muito bem!

Maior município brasileiro em população e capital do dinheiro do País, São Paulo estará sempre no radar de quem possui estratégia minimamente empresarial. E no futebol o conceito “mínimo” aplica-se à perfeição.

Para o Flamengo, contudo, não é lá uma novidade atuar em São Paulo. O Rubro-Negro já não se sente assim tão estranho no ninho ao jogar por aqui. É dono de uma fatia importante de torcedores na cidade, que o coloca confortavelmente na posição de quinta maior torcida entre os moradores do município, o que lhe dá algo como entre 1% e 2% dependendo da pesquisa. Número para lá de expressivo!

Já para o Fluminense, tudo é novo. É novidade! Mas se passa ao largo em termos de quantidade de torcedores por aqui, em termos de estratégia não. Está lendo bem o que significa jogar em São Paulo e por si só isso já mereceria aplausos.

Mas em meio a esse emaranhado de contigente populacional, recursos financeiros e aspirações de marketing, há os clubes da cidade. E eles não deveriam ignorar o movimento de rotina rubro-negro, principalmente, e tricolor.

São Paulo, Corinthians e Palmeiras, claro, a princípio, nada temem. Santos, mesmo sendo do Litoral paulista, também. Mas para a Portuguesa ter o Flamengo por aqui significa muito. E não é no melhor sentido da palavra.

A Lusa, em termos amplos, representa uma opção a tudo que está aí. Ou seja, em condições normais de temperatura e pressão, quem não se identifica com tricolores, corinthianos, palmeirenses e santistas poderia nutrir alguma simpatia pelo clube do Canindé. Mas essa simpatia, em virtude de seu catastrófico momento, desapareceu das ruas, do noticiário e dos campeonatos. E o vácuo se instalou. São Paulo, portanto, tem quatro times e uma inflexão, que hoje se inclina em direção ao Flamengo, mas que pode ser capturada por Fluminense e até o Vasco.

Agora, se inicialmente para os grandes clubes paulistas esse movimento nada significa, é bom prestar atenção neste encadeamento de fatos:  o Pacaembu não tem função, o vácuo de um quinto clube existe e o Flamengo não é a Lusa, ou seja, não vai se impor pela simpatia… Vai se impor sim pelos títulos que é capaz de ganhar e pela força de sua apaixonada e nacional torcida.

Em outras palavras, um crescimento rubro-negro em São Paulo vai adensar a concorrência na captação de investimentos futuros, principalmente em um mercado hostil como é o do marketing esportivo. E bastará uma crise técnica, dentro de campo, em algum dos grandes clubes do Estado para que o Flamengo vire opção de fato no mercado paulista.

Portanto, se por ora parece simpático, interessante e curioso, convém filosofar também sobre o fato em si, porque o movimento rubro-negro parece início de algo, ainda indefinido, mas com claras ambições de se colocar como opção de mercado. E o Flamengo tem estofo para isso. Para se transformar de vez em uma força concorrente no Estado de São Paulo. Ainda mais quando se sabe que os clubes paulistas nem de longe têm a mesma entrada no Rio de Janeiro como o Flamengo tem em São Paulo, transformando o mercado de lá em cativo para os clubes de lá.

Em resumo, Flamengo jogando Campeonato Carioca em São Paulo significa. E significa muito! Como significa a Primeira Liga e todo esse movimento de quem enxerga o futebol brasileiro como um mercado caracteristicamente nacional, o que convém frisar, é um acerto.

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