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Flamengo e Vasco: quem canta, os males espanta?

Na Arena da Amazônia, torcidas, que também promoveram cenas de violência, entoam os respectivos hinos à espera de que a temporada de 2015 os traga de volta ao protagonismo no futebol nacional

Maurício Capela

22 de janeiro de 2015 | 16h09

Qualquer clube tem um hino. Qualquer! Do menor ao maior, do mais rico ao mais pobre, de um grupo de torcedores à massa… Ter um hino é tão importante quanto o ato de carregar uma bandeira ou vestir uma camisa, porque naqueles dois, três minutos em que os acordes invadem o campo de futebol, a recordação afetiva caminha lado a lado. O torcedor reafirma sua paixão em um diálogo interno, calado, só para si.

A Arena da Amazônia foi palco de uma demonstração dessas. Flamenguistas e vascaínos cantaram a plenos pulmões os hinos de suas respectivas agremiações. Reafirmaram o desejo de viver dias melhores, olharam para o futuro com a esperança de que esses dois gigantes voltem a disputar títulos de primeira linha.

Dos dois, não resta dúvida, quem terá a pior tarefa pela frente será Doriva. O Clube de Regatas Vasco da Gama, recém-promovido à primeira divisão, trilha o duro caminho da reestruturação. Até porque dinheiro, hoje, não sobra para ninguém e tampouco para Vasco e para Flamengo.

É bem verdade que o time de Vanderlei Luxemburgo dá mostras de que está um passo adiante. A contratação do atacante Marcelo junto ao Atlético Paranaense foi um acerto. O goleiro, Paulo Victor, pelo jeito, continua na mesma fase em que terminou a temporada, ou seja, ótima. E os garotos da base naturalmente serão aproveitados à medida que as folhas do calendário uma a uma virarem.

Mas a apresentação de ontem, do ponto de vista técnico, ainda está longe do ideal, tanto para Vasco como para Flamengo. A volta desses dois gigantes ao protagonismo levará tempo. Tempo porque ambos precisam, primeiro, rearrumar a conta no banco. Dar um jeito nas finanças, sobrar dinheiro para depois irem às esperadas compras.

Contudo, não adianta encher o carrinho com produtos de segunda. Compre pouco, tudo bem, mas faça um bom shopping. Até porque se existem times no Rio de Janeiro que fabricam jogadores, principalmente, nos últimos tempos, esses são Vasco e Flamengo. E ultimamente, mais o Vasco.

De uma tacada só, em um intervalo de seis anos, a “escolinha de São Januário” deu ao futebol brasileiro Souza, Alan Kardec, Dedé, Philippe Coutinho e tantos outros. Ao Vasco, portanto, a saída para voltar a brilhar é apostar na base, mas para isso precisa ter dinheiro no caixa para que não veja seus pupilos alçarem voo antes da hora. Está mais do que na hora de São Januário colher os frutos de seu bom plantio.

Já o Flamengo tem revelado pouco. E já foi melhor nisso também, mas tudo é uma questão de ajuste. Um olhar mais cuidadoso ali e outro acolá trará da categoria de base novos bons jogadores ao Mengo, que também precisará estar pronto para aproveitá-los assim que surgirem.

O fato é que o torcedor de ambos, que cantou sem vergonha alguma o hino de cada agremiação na Arena da Amazônia nesta quarta-feira, espera por dias melhores. Porque seu desejo mesmo é voltar a entoar a canção que os identifica e os une em final de campeonato. Não só em amistoso. E faz tempo que isso não acontece.

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