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Fosso Futebol Clube!

Mundial de Clubes da Fifa escancara a cada edição o crescente distanciamento entre o futebol praticado na Europa e no resto do mundo.

Maurício Capela

17 de dezembro de 2014 | 15h30

Uma bola, um campo, um punhado de jogadores e dois mundos. É assim que o Mundial de Clubes da Fifa vai estampando a cada edição, a cada ano, a distância entre o futebol que se pratica na Europa e nos demais continentes.

O que incomoda é que nem sempre foi assim. Até o fim dos anos 90, os clubes brasileiros e argentinos, principalmente, conseguiam estabelecer algum grau de competitividade e, por vezes, saíam vencedores do embate.

Hoje, essa competitividade é quase nula. É quase um massacre. A distância entre um e outro já não é mais possível de se contabilizar, tamanha a diferença de elenco, recurso, treinador, entre outros…

A Europa, a partir dos anos 2000, organizou-se de tal forma no mundo da bola, que investir em qualquer campeonato passou a ser obrigação às empresas interessadas em dialogar com os fãs do esporte. E não, não foi só afrouxar uma regra fiscal ali, outra acolá… Foi mais que isso!

Foi um punhado de ações em paralelo que elevaram o esporte na Europa à categoria de entretenimento, estabelecendo concorrência com um filme ou uma peça de teatro. As arenas, aliás, são convidativas a quem deseja partilhar momentos com familiares e amigos. Ali se come, se diverte, se toma um café e também se torce pela agremiação, com a certeza de que se houver confusão, a punição também virá de maneira certeira.

Portanto, tomou-se conta do espetáculo. Procurou-se organizar as competições de tal forma que se hoje alguém desejar assistir uma partida da Premier League terá que se contentar em sonhar com a próxima temporada, porque nessa tudo já foi vendido.

Com a casa cheia, o espetáculo começa a se desenhar para televisão, que passou a disputar a tapas os direitos de transmissão. Mais concorrência, mais dinheiro no moinho, mais recursos para melhorar o espetáculo, que se traduziu na aquisição cada vez mais rápida de jovens promessas dos tradicionais mercados bons de bola, Brasil, Argentina e África.

Portanto, é um erro apontar o dedo para as fronteiras e imaginar mirabolantes travas para impedir a compra dos jovens craques por parte dos gigantes da Europa. Seria mais saudável e produtivo que esse esforço intelectual e financeiro fosse usado para desenhar um política de esporte, que à maneira brasileira, colocasse em pé um formato que permitisse a roda girar também aqui de maneira virtuosa.

Em outras palavras, os quatro a zero imposto pelo Real Madrid diante do Cruz Azul do México foram somente mais uma enxadada nesse fosso que só aumenta. Estancar já não é mais o remédio. Estruturar sim! O futebol sul-americano precisa imediatamente de uma dosagem cavalar de estruturação, uma vez que o fundo do fosso já anda difícil de se enxergar!

 

 

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