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Futebol precisa abrir o olho eletrônico!

Partida entre Chapecoense e Palmeiras deve ser entendida como manifestação definitiva da necessidade do futebol em adotar a tecnologia de maneira ampla, mas regulamentada.

Maurício Capela

05 de outubro de 2015 | 15h06

Cá já passou da hora. Da hora de aceitar, de entender, de aprender e de admitir: o esporte mais popular do planeta, o futebol, precisa incorporar, de vez, a tecnologia.

Uma das principais responsáveis pelas grandes transformações na sociedade pós-segunda Guerra Mundial, a tecnologia está presente em praticamente todas as modalidades esportivas. Mas no futebol ela é sumariamente ignorada. Ignorada não! Ela é posta no canto, presa a um circunspecto raio de ação.

O jogo deste domingo entre Chapecoense e Palmeiras, claro, reacende o debate. E não pela atuação da arbitragem, que acabou ficando exposta em lances capitais do jogo, mas sim pela ausência oficial do recurso eletrônico.

A expulsão de Egídio, o lateral do Palmeiras, é emblemática e didática. Emblemática porque evidencia o quão necessária se faz a tecnologia. E didática porque se o recurso ali já fosse disponível o imbróglio teria sido sumariamente evitado e o juiz teria mais tranquilidade durante o jogo. E tranquilidade costuma se refletir em bom desempenho em qualquer atividade laboral.

Portanto, não adianta levantar suspeitas se o quarteto de árbitros recebeu alguma ajuda ou não externa, o que naturalmente já foi negado pelos responsáveis pelo apito no jogo. A questão é maior e ultrapassa essa partida. Ultrapassa o campeonato brasileiro.

Ou seja, os principais clubes da América do Sul deveriam abrir imediato diálogo com as equipes da Europa. Técnicos e jogadores deveriam se colocar de maneira decisiva e incisiva. E, por fim, os árbitros deveriam vir a público e dizer, “sim, a tecnologia nos ajudaria e muito!”.

É claro que precisaria se gastar um bom tempo, pensando na regulamentação. Mas isso é debate. Faz parte do processo de discussão em qualquer manifestação social. Mas o que já não faz mais parte é o ato da negação. Essa não dá mais. Não dá!

Trocando em miúdos, todos os atores do futebol precisam tomar posição de maneira oficial e coletiva. Até porque uma vez de posse da tecnologia fatalmente ficará claro quem realmente se destaca como árbitro e quem se utiliza da rapidez do jogo, da movimetação dos atletas ou qualquer outro argumento para simplesmente justificar o erro.

Ou seja, em tempos de realidade virtual, de rompimento das fronteiras físicas, de aproximação única e irreversível das pessoas, o futebol não pode se transformar em uma ilha da fantasia, descolada da realidade. Está na hora de se qualificar o debate, está na hora de abrir espaço para a tecnologia!

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