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Há talento na Seleção Brasileira!

A safra que surge e que se mescla com jogadores mais experientes, mas que antes do Mundial de 2014 eram imaturos para uma Seleção Brasileira, colide as crenças de Dunga, que precisa rapidamente apontar se deseja mudança ou se vai persistir na concepção de um meio de campo de força, por exemplo.

Maurício Capela

31 de março de 2016 | 17h16

Há um futebol brasileiro antes de 2014 e pós-Copa do Mundo. E aqui nem existe qualquer referência ao desastre do Mundial de 1950 ou mesmo das conquistas dentro de campo de 58, 62, 70, 94 e 2002. O senão gira em torno mesmo da atual década, um momento único na história desse esporte por aqui. Um momento em que parece ter ficado cristalizado que o Brasil perdeu o posto de melhor do mundo no futebol e de referência no jogo.

No entanto, há sinais de reação. Tímidos, ainda? Talvez… Mas o sinais estão aí.

Jovens talentosos jogadores despontam no futebol brasileiro, sob a condição selecionável, após os 10 vexatórios gols em dois jogos no último mundial. Gabriel, Lucas Lima eThiago Maia do Santos; Gabriel de Jesus, Matheus Salles e João Pedro do Palmeiras; Rodrigo Caio do São Paulo; Maycon e Luciano do Corinthians; Luan do Grêmio; Allison do Internacional; Rafael Carioca e Douglas Santos do Galo e a turma do estrangeiro, Douglas Costa, Willian, Renato Augusto e Felipe Anderson.

Alguns, claro, já estavam por aí antes de 2014, mas sequer reuniam maturidade suficiente para sonhar com Seleção Brasileira. Outros literalmente estão despontando e começam a demonstrar consistência tal que deveriam entrar no radar de selecionáveis.

Selecionável, vale o lembrete, não é convocação. É só a turma que insinua ter talento suficiente para entrar no radar da Seleção. E só! Nada mais!

Em outras palavras, portanto, a questão não é falta de pé-de-obra. O xis da questão desse futebol, por vezes, burocrático e mal jogado do Brasil passa pelo deserto tático de ideias. E aí nada contra o Dunga, porque quando houve o convite para seu retorno todos sabiam como o treinador pensava e pensa futebol.

Dunga gosta de um futebol de força, principalmente no setor de meio de campo. Acredita que a velocidade de contra-ataque é letal e que usá-la é um diferencial. Adiantar as linhas de jogo não conversa muito com seu estilo e liberar os laterais simultaneamente também não. Enfim, é um jeito de ver o mundo da bola.

Um jeito que tem outros expoentes, como José Mourinho. Um dos grandes treinadores do mundo, Mourinho é especial no contra-ataque, talvez o melhor de todos os tempos nesse quesito.

Mas essa geração do Brasil insinua ter mais a ofertar, quando se compara com a geração primeira de Dunga, onde contra-atacar, de fato, era o que lhe restava.

É justamente aí que há um descasamento. Dunga, talvez, neste momento, não possa acrescer muito ao estilo de jogadores que tem em mãos. E das duas uma, ou pula fora do barco ou modifica suas crenças.

Portanto, parece ser pouco justo sair gritando a plenos pulmões um “Fora Dunga!”. É mais sensato perguntar se não seria o caso de abrir espaço para novas ideias. E novas ideias como as de Rogerio Micale, o treinador da Olímpica, que constrói um sistema interessante de jogo no setor de meio de campo, com jogadores técnicos e marcadores. E não por acaso, o Brasil da meninada é um time deveras insinuante, incisivo, propositor de jogo.

Ou seja, o momento é de reflexão para Dunga… A começar por se é realmente necessário dirigir a Seleção Olímpica? E se o é, por que não aglutinar Micale ao trabalho na principal?

Acaso essas perguntas fiquem sem resposta, daí é o momento de partir para outra reflexão. E essa tem nome e endereço: Centro de Treinamento do Corinthians, favor chamar um tal de Adenor. Fim!

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