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Imediato Futebol Clube

Em três rodadas, Oswaldo de Oliveira começa a ser questionado pela torcida do Palmeiras, mas dos 11 titulares na derrota para o Goiás somente três atuaram menos de dez vezes pelo clube em 2015, o que abre a reflexão se, de fato, falta conjunto ou se houve erro de avaliação quanto à qualidade dos reforços.

Maurício Capela

25 de maio de 2015 | 15h13

As séries A e B mal começaram no País e a dança dos treinadores já se mostra frenética. Ao todo, já se foram quatro técnicos nessas três primeiras rodadas, dois pela primeira divisão e mais dois pela B. A saber: Fluminense, Grêmio, Vitória e ABC.

Só que a maré promete ficar bastante agitada nos próximos dias. Oswaldo de Oliveira, técnico do Palmeiras, e Vanderlei Luxemburgo, do Flamengo, começam a ter seus trabalhos questionados pelas respectivas torcidas.

Ainda que não se generalize, até porque cada caso é um caso, parece existir um super dimensionamento da atividade de técnico de futebol no País. É claro que o condutor de um projeto é fundamental, afinal, cabe a ele desenhar taticamente o time, vislumbrar carências no elenco, apontar soluções e apostar em garotos que despontam na base. Faz parte! 

Mas um técnico não pode ser responsabilizado por tudo que acontece dentro das quatro linhas, sob pena de descaracterizar o jogo em si e de menosprezar a capacidade individual dos 11 atletas em campo.

Em outras palavras, debitar o fracasso de um único jogo ou mesmo uma sequencia negativa exclusivamente na conta do treinador parece confortável, simples e fácil demais!

De todos, contudo, quem talvez viva cenário agudo de desconfiança seja Oswaldo de Oliveira no Palmeiras. É bem verdade que seu time ainda não conseguiu fazer a passagem da campanha no Paulista para o Brasileiro e que vem patinando contra adversários que, em tese, reuniria condições para vencer.

Mas ainda assim creditar a Oswaldo o atual momento do Palmeiras pede calma. Até porque seu time tem clareza de jogo, uma vez que vem empregando desde o início da temporada o mesmo sistema tático. E, de quebra, há uma base titular, ainda que se discorde.

Quer ver? O Palmeiras já fez 27 partidas no ano e se for levado em conta o time que entrou em campo na derrota para o Goiás, logo ficará claro que há sim uma espinha dorsal bem delimitada no time.

  • Fernando Prass, 25 jogos
  • Lucas, 24
  • Victor Ramos, 12
  • Vitor Hugo, 22
  • o recém-contratado Egídio, 4
  • Gabriel, 25
  • Robinho, 24
  • Zé Roberto, 20
  • Valdivia, 8
  • Kelvin, 7
  • Leandro Pereira, 19

Em outras palavras, dos 11 titulares, apenas 3 jogadores atuaram menos de uma dezena de jogos com a camisa do clube em 2015. E isso não caracterizaria conjunto, espinha dorsal, base de equipe titular? Pois é…

Portanto, talvez o problema não seja o conjunto ou o esquema de jogo. Talvez a questão resida simplesmente na qualidade dos 21 jogadores que foram contratados pelo Palmeiras. E aí é preciso entender se esses atletas ainda vão se desenvolver ao longo da temporada ou se simplesmente fazem parte de um erro de avaliação.

Mas acaso prevaleça a ideia de que houve um erro de avaliação, então, imediatamente já surge outra pergunta. Qual é a parte que cabe à diretoria e qual é a fatia da comissão técnica?

De posse dessa reflexão, aí sim, vai ficar mais fácil entender se o técnico é o único responsável ou se é co-responsável. E mais. Com uma boa dose de sorte, talvez fique claro até que o verdadeiro valor do futebol praticado no Brasil se resume a uma única palavra: imediatismo! E nada mais!

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