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Jorge Sampaoli ameaça reinado de Pep Guardiola

Campeão da Copa América deste ano com o Chile, defensor de um futebol ofensivo e contemporâneo, argentino poderá desbancar Pep Guardiola na eleição da Bola de Ouro, que vai acontecer em janeiro de 2016.

Maurício Capela

20 de outubro de 2015 | 14h56

A lista dos melhores do mundo do futebol está feita. E a dos técnicos também. Na dos atletas, entre os 23 nomes que lá figuram, a grande dúvida recai sobre quem vai ocupar a indicação de número três, uma vez que fatalmente o português Cristiano Ronaldo e o argentino Lionel Messi deverão estar nas outras duas posições na entrega da Bola de Ouro, da Fifa, marcada para 11 de janeiro de 2016, em Zurique, na Suíça.

Portanto, a ferrenha disputa deverá acontecer entre os dez treinadores selecionados. É claro que o espanhol Pep Guardiola, do Bayern de Munique, está um passo à frente. Mas convém não ignorar três outros nomes. A saber, os argentinos Diego Simeone e Jorge Sampaoli, além do espanhol Luís Enrique.

Como facilmente se observa, além dos europeus Guardiola e Enrique, a Argentina credencia-se cada vez mais como uma competente escola de treinadores. Inspirados em boa medida em Marcelo Bielsa, tanto Simeone como Sampaoli estão no topo dessa profissão.

Contudo, o nome que mais chama a atenção é o de Jorge Sampaoli. Primeiro, porque o argentino atua na América do Sul, dirigindo a Seleção do Chile. Depois, porque transformou uma boa geração de jogadores chilenos em um time de respeito, sendo coroado com o título da Copa América deste ano.

Sampaoli guarda raízes estreitas com esse contemporâneo jeito de se jogar futebol. Jogadores trocando intensamente de posição, velocidade pelos lados, triangulações, ocupação de espaço, prioridade à função e não posição dentro de campo, além de propor o jogo.

O sucesso de Sampaoli, que bebe diretamente na fonte de Bielsa, deveria servir de reflexão aos técnicos brasileiros, que são competentes também, mas que em algum momento perderam, na média, o bonde da contemporaneidade. Poucos times no Brasil assemelham-se ao futebol globalizado na maneira de atuar. E tem sido esse um dos grandes entraves na recuperação, inclusive, da Seleção.

Portanto, o reconhecimento do trabalho de Sampaoli deve ser olhado sob o viés da reflexão e, em alguma medida, do aprendizado. Mas não deve ser menosprezado sob pena de o futebol brasileiro continuar cativando o fosso que já existe entre o praticado na média em solo local e na Europa.

A coroação de Sampaoli, caso aconteça, serviria como sopro de inspiração ao futebol praticado na América do Sul. E em alguma medida resgataria um pouco do verniz, já gasto, de times e seleções locais. Mas a tarefa será dura, porque Guardiola ainda guarda um senão de supremacia em direção aos demais.

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