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Jorge Sampaoli oxigena o futebol sul-americano

Mesmo não merecendo a vitória diante do Brasil, de Tite, a Argentina sob o comando de Sampaoli insinua que vai chutar para longe a ameaça de não ir ao Mundial da Rússia e, de quebra, ainda vai aguçar o espírito competitivo da Seleção Brasileira.

Maurício Capela

09 de junho de 2017 | 16h20

Não há conceito de grandeza sem o juízo da comparação. Para receber a alcunha de grande, é preciso tomar pé diante de quem lhe parece menor momentaneamente. É assim no mundo das empresas, dos países, da música, da atividade humana em geral e, claro, do futebol.

Portanto, a chegada de Jorge Sampaoli ao comando da Argentina só pode fazer bem ao futebol sul-americano. E por tabela ao Brasil, porque toda vez que o nível se eleva, os ganhos se multiplicam.

O gosto, que a Argentina vai experimentar daqui por diante, o gosto de voltar a ser competitiva, o Brasil, depois da chegada de Tite à Seleção, tem sentido rodada após rodada das Eliminatórias da Copa do Mundo de 2018. E tem sido saboroso.

 

Mesmo levando uma boa dose de sorte no confronto amistoso diante do Brasil, o fato é que a seleção bicampeã do mundo já exibiu alguma imaginação de jogo. Saiu do óbvio, do trivial e passa a sensação de que logo estará pronta para chutar para longe qualquer possibilidade de não se classificar ao Mundial da Rússia; hoje, uma ameaça real.

Mas e o Brasil? O Brasil de Tite não sofrerá arranhão algum com a derrota por 1 a 0 para os argentinos. Contudo, é preciso ter atenção. Mesmo merecendo melhor sorte no confronto, o fato é que a harmonia do time de Tite não pode ser abalada, porque as vozes dissonantes, que até agora estavam caladas, certamente já ergueram as sobrancelhas. E o treinador brasileiro sabe muito bem disso, afinal, é um costume “made in Brazil”.

Trocando em miúdos, muito embora seja apenas um amistoso, o Brasil exibiu algumas falhas de marcação, principalmente pelo lado direito, e uma boa falta de pontaria. Algo para se olhar mais de perto, quando se teve Philippe Coutinho, Gabriel Jesus, Renato Augusto, Douglas Costa e outros. Todos competentes, e com exceção de Jesus, todos detentores de boa tarimba para saber que jogar com a Argentina nunca será um amistoso. E perder sempre vai chamar a atenção, principalmente daqueles que a espreita estavam.

Portanto, Tite precisa manter o ritmo de observação e é para isso que amistosos servem. E continuar a formular sua ideia de time, porque as seguidas nove vitórias em nove jogos não podem lhe dar a sensação de que a formação está pronta. Longe disso. Quando se fala em Seleção Brasileira, a formação nunca está e estará definida, nem mesmo às vésperas de uma estreia em Copa do Mundo. Neste País, um talento pode surgir do nada três meses antes do Mundial e acabar com conceitos perfeitamente concebidos.

 

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