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Legado, eis o contínuo desafio de Pep Guardiola

Treinador vai ficar até maio de 2016 no Bayern de Munique, que já anunciou o italiano Carlo Ancelotti como sucessor.

Maurício Capela

21 de dezembro de 2015 | 14h04

A era do consagrado técnico Pep Guardiola já tem data para acabar no Bayern de Munique: maio de 2016. De olho em novos desafios, Guardiola pediu para não renovar, para não ficar à frente de um dos maiores clubes do mundo.

Sob sua batuta, o gigante alemão venceu o Mundial de Clubes da Fifa em 2013, além de ter faturado dois campeonatos alemães. Mas nada ainda em termos de Liga dos Campeões da Europa. Pouco? Muito? Adequado? Difícil mensurar!

Quando anunciado em 2013, a expectativa era de que Guardiola modificasse profundamente o futebol alemão. Como estava à frente de uma potência regional e global, o seu sucesso naturalmente contaminaria os demais participantes da Liga da Alemanha e, claro, os demais da Europa. Um cenário já visto nos tempos em que comandou o Barcelona.

Mas o desafio de Guardiola se apresentava maior. Maior porque o futebol alemão é um futebol vitorioso, diferente do espanhol, cuja época de glórias do Barcelona coincidiu com a ascensão da Espanha como seleção de primeiro nível. Além disso, o próprio Bayern já jogava o fino da bola antes de seu desembarque.

Em outras palavras, Guardiola precisaria melhorar algo que já funcionava muito bem. Tanto do ponto de vista de resultados, como de estilo de jogo.

Conseguiu? Cá há dúvidas. O Bayern de Munique sob Guardiola trocou mais passes, e isso tem sido visível, algo que pode-se até chancelar como “fato”. Talvez tenha tido um pouco mais de posse de bola – as estatísticas apontam para algo perto de 68% -, seu time marcou uma dezena a mais de gols. Mas o fato é que nada avançou significativamente.

É justamente essa ausência de grande diferenciação entre dois grandes trabalhos que, pelo jeito, ditou a mente de Guardiola na hora de dizer “não ao Bayern”. Mais do que vencer, do que manter a competitividade, Guardiola, à distância, parece adorar o verbo “transformar”.

Transformar um time médio em potência, recuperar um time grande e uma seleção sabidamente de primeiro nível, eis os desafios que parecem, à distância, frise-se, mexer com os ideais e objetivos de Guardiola.

Neste momento da carreira, o técnico parece olhar para si próprio, com o objetivo de querer ultrapassar os seus próprios feitos. É uma concorrência particular não norteada por recursos financeiros, mas sim pela busca por afirmar ainda mais seu nome na história. A sensação é que tudo parece passar pela palavra “legado” quando se trata do já lendário Pep Guardiola.

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