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Liga dos Campeões da Europa ou da Alemanha, Inglaterra e Espanha?

Os 6 a 1 do Bayern de Munique frente o Porto expõem o fosso existente entre os clubes das ligas alemã, inglesa e espanhola em relação aos demais num repeteco semelhante ao que ocorre entre os times sul-americanos e europeus.

Maurício Capela

22 de abril de 2015 | 15h30

Pergunte a um alemão o significado da palavra “aula”. E provavelmente antes de bater o martelo em direção aos verbetes “stunde”, “unterricht”, “vorlesung”, talvez ainda passe pela sua cabeça balbuciar algo como “klassenzimmer”. Verbete, que em livre tradução, pode perfeitamente ser compreendido como “sala de aula”!

Uma sala de aula que o Futebol Clube do Porto certamente teria gostado de não ter passado da porta. Os 6 a 1, mais do que o placar, revelam que mesmo na Europa há um fosso entre o futebol jogado pelos clubes pertencentes às principais ligas do continente e os demais.

Um fosso, portanto, que não se restringe aos campeonatos disputados na América do Sul ou na Ásia quando comparados aos da Europa. Não! A situação é generalizada mesmo!

É claro que o poderio econômico tem lá a sua parcela de contribuição nesse distanciamento, mas sozinho não explica esse fosso. É preciso também observar como os recursos disponíveis são aplicados na Alemanha, na Inglaterra e na Espanha, que claramente são as três principais ligas do Velho Continente.

Além de observar, também já deveria ter sido entendido que não se pode lograr êxito em competições que colocam frente a frente clubes dessas ligas e das demais localidades do mundo, enquanto prevalecer a velha máxima de exportador de pé-de-obra e importador.

O Porto, por exemplo, vencedor da Liga dos Campeões em 1987 e em 2004, terá chances cada vez menores de repetir tais feitos, enquanto vigorar a filosofia de contratar bons jogadores sul-americanos, amadurecê-los para depois negociá-los por uma pequena fortuna no Velho Continente.

Em outras palavras, é um problema maior e mais abrangente. Não atinge somente os clubes portugueses, mas também os da Turquia, os da Itália, os da França e os de menor expressão da Espanha, além de outros países.

A solução, talvez, não seja a de restringir o fluxo do dinheiro. Talvez também não passe pela volta do critério de se limitar a contratação de jogadores estrangeiros. Talvez seja preciso organizar lá embaixo, nas categorias de base mesmo. Estabelecer uma regra ali, nessa fase do processo, que restrinja e de alguma maneira provoque a competitividade futura.

Caso contrário, a sensação é que a Europa vai girar ao redor de oito, talvez dez agremiações, que ou recebem recursos de investidores principalmente do Oriente Médio ou simplesmente têm uma economia tão forte, que os possibilita alocar dinheiro nas categorias de base e ao mesmo tempo fazer grandes contratações.

Nesse ritmo, em vez de Liga dos Campeões da Europa, haverá, em breve, uma liga sim. Uma liga forte, competitiva e atraente, mas restrita ao seleto clube de times da Alemanha, Espanha e Inglaterra.

 

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