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Linense e a “escolha” de Sofia.

Diante da possibilidade de arrecadar um bom dinheiro, o clube do interior topou jogar duas vezes contra o São Paulo no Morumbi; compreensível, mas poderia ter escolhido um outro palco na capital do Estado para a partida como mandante.

Maurício Capela

30 de março de 2017 | 17h37

A matemática é óbvia. Em alguns casos, muito. E dispensa qualquer malabarismo contábil para perceber que o Linense está de olho no caixa. Na renda futura. Na projeção nada desprezível, e muito factível, de que o estádio Cícero Pompeu de Toledo, o Morumbi, a casa do São Paulo, receba um público ao redor de 50 mil pessoas em cada um dos jogos da fase de quartas de final do Campeonato Paulista entre o próprio São Paulo e o time de Lins.

Com um estádio que fatalmente sofreria algumas restrições para se disputar um jogo decisivo, o Linense topou a aventura de atuar duas vezes contra o São Paulo no Morumbi. Mesmo respeitando o elenco, o treinador e a comunidade do time do interior paulista, eliminar o clube da Capital, ainda que um dos confrontos fosse em casa, já seria uma façanha. E daquelas!

Então, é compreensível que o Linense faça a conta óbvia que qualquer gestor ou chefe de família, mulher ou homem, faria. Qual seja? Manter a casa em ordem.

Afinal, o dinheiro da televisão já é curto para os clubes do interior paulista, mesmo no campeonato mais rentável da federação, e os patrocínios de camisa estão mais para a casa da centena de milhar do que para as dezenas de milhões.

Portanto, condenar, criticar e apontar o dedo da confortável poltrona das dezenas de milhões de reais advindas da televisão, dos patrocínios relevantes de camisa e da venda nada desprezível de grandes talentos para o mercado europeu a cada ano, é válido, mas discutível, porque a conta das pequenas agremiações do País não fecha.

O futebol é caro. Fazer futebol custa uma pequena fortuna no Brasil e no mundo. E os clubes de menor projeção têm muita dificuldade em tornar a operação rentável e se manterem ativos.

No entanto, mesmo sendo compreensível a postura do Linense, é preciso também dizer que o clube de Lins poderia ter escolhido outro palco para seu compromisso diante do São Paulo. Talvez não conseguisse a divisão da renda líquida dos dois jogos, como aparentemente foi acertado, mas ainda assim levaria um bom dinheiro para casa. E mais. Manteria vivo algum critério desportivo, que no fim das contas é a essência do negócio, do futebol em si.

Aliás, já faz tempo que o futebol precisaria rever alguns conceitos. E procurar entender que a bola não vive da contabilidade, mas vive da essência de qualquer esporte, a competitividade, que curiosamente somente ocorre se a contabilidade estiver em ordem. Ou seja, simples não é, mas vale o esforço.

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