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Lusa, há forças para recomeçar?

Com sete rebaixamentos nos últimos 13 anos, a Portuguesa poderá desembarcar em 2020, no ano de seu centenário, desfigurada em relação à sua história repleta de craques, que contribuíram com a conquista das Copas do Mundo de 58, 62 e 70 pelo Brasil.

Maurício Capela

09 de abril de 2015 | 16h56

“Começar de novo”… Longe de ser um fado, mas bem que poderia sê-lo, a música do cantor e compositor Ivan Lins emoldura perfeitamente o atual momento da Associação Portuguesa de Desportos. Sete rebaixamentos em 13 anos! Quatro deles nos últimos quatro anos! O que restou daquela Portuguesa respeitada e dona de grandes times?

A tentação em responder “Nada!”existe. A tentação em afirmar cabalmente que o clube se apequenou para todo sempre, que acabou, que não mais sobreviverá e talvez até nem consiga completar 100 anos em 2020 provavelmente até esteja sendo balbuciada por parte de sua fanática torcida. É provável!

Mas há algo n’alma desta agremiação, que mesmo que tudo aponte para o fim, que tudo caminhe para o desenlace derradeiro, insiste em lançar um senão. Uma dúvida!

O fato é que para quem ainda acredita em sua ressurreição, o caminho se apresenta como árduo, solitário e difícil de ser cumprido. Que a Portuguesa não tenha falsa esperança, porque dependerá única e exclusivamente dela o difícil ato de se reencontrar. E para se reencontrar, a Lusa do Canindé vai precisar se olhar no espelho e reconhecer os maus tratos do tempo.

Reconhecer que a Portuguesa de hoje é um arremedo sem graça da Portuguesa de ontem. Reconhecer que a Portuguesa de hoje apresentou o primeiro sintoma no início dos anos 2000 e de lá para cá resolveu se automedicar, como se assim pudesse tratar suas próprias chagas. Mas no futebol não há panaceia.

Acaso ainda resista ao reflexo de sua imagem em 2015, a Portuguesa, então, a partir daí poderá sonhar. Sonhar e planejar, principalmente, planejar.

Planejar o fim das sucessivas humilhações dentro de campo passa pelo entendimento que sua camisa é barata nesses tempos de marketing esportivo e que sua bilheteria é ingrata. Não ajuda!

A saída da Lusa está no seu maior patrimônio, o seu complexo esportivo. Mas engana-se quem pensa que a venda seria a melhor saída. Não! Bem longe disso! A saída é fazer àquela área ser rentável.

Mas entre “ser” e “fazer” há um “Canindé” de distância. É fato! E é justamente aí, nesse vazio de tempo e espaço até que se tome uma direção, que o futebol rubro-verde precisa calçar suas chuteiras.

A saída do futebol da Lusa está onde sempre esteve: em suas categorias de base. Retomar o controle, investir tudo que é possível, aproximar ex-jogadores dos garotos para que a referência dos velhos tempos volte, eis a combinação e talvez única trilha para que a Portuguesa finalmente coloque a bola dentro do gol novamente.

Nada disso é fácil, como também não foi fácil trazê-la para o nível atual. Mas se não recuperar sua identidade, aí sim, a Portuguesa deixará de existir, cedo ou tarde, mas sucumbirá ao futebol que se desenha para este século XXI.

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