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Melhor ataque da Terra: Messi, Suarez e Neymar?

Slogan que já dominou as arquibancadas do Brasil completa 20 anos e de lá para cá o que se vê é o avanço do Barcelona como clube estrangeiro preferido na América do Sul

Maurício Capela

26 de janeiro de 2015 | 15h52

A rima era perfeita. O ritmo também. E como tinha sempre muita gente para cantar nas arquibancadas do Brasil, ficou fácil decorar… “O melhor ataque do mundo: Sávio, Romário e Edmundo”, que povoou a mente do torcedor flamenguista espalhado pelo País completa 20 anos em 2015.

Uma jogada que nem Flamengo ou outra agremiação qualquer do País reúne, atualmente, condições para minimamente colocar em prática. Hoje, dar qualquer declaração nesse sentido, o de repatriar o melhor jogador do mundo, que à época tratava-se de Romário, junto ao poderoso Barcelona, é certamente virar motivo de chacota.

Existem, claro, várias razões para que uma hipotética intenção como essa não ganhe crédito algum. Mas em alguma medida todas elas acabam passando pela ausência clara do entendimento de que o futebol está intimamente ligado ao marketing.

O Barcelona, de todos os gigantes europeus, talvez seja o que melhor entenda esse necessário diálogo. E mesmo que o destino tenha lhe soprado favoráveis ventos, o fato é que numa tacada só, o Barça conseguiu reunir um argentino, Lionel Messi, um brasileiro, Neymar Júnior, e um uruguaio, Luiz Suárez, que juntos representam escolas donas de nove copas do mundo.

Acaso, oportunismo, inteligência, experiência? Não se sabe ao certo, mas o que fica cada vez mais nítido é que o Barça olha com carinho o mercado fora de campo na América do Sul. E marcas importantes de produtos de consumo, em um movimento lento, mas contínuo, começam silenciosamente a preferir estampar as cores azul-grená do que um verde e branco, um rubro-negro ou um alvinegro em seus produtos.

Mas ainda há espaço para piorar. E piora, quando uma companhia brasileira decide por alocar seu rico dinheirinho em direção à agremiação catalã em uma tabela muito bem arquitetada entre personagem, no caso Neymar Júnior, e clube. Em outras palavras, numa dose cavalar de marketing esportivo!

Além disso, basta ligar a televisão para perceber como o Barcelona deixou para trás o Milan, que, principalmente nos anos 90, também despertava a atenção do público brasileiro. Por exemplo, cada vez que o Barcelona chega a uma fase decisiva da Liga dos Campeões da Europa, vira preferência nas telas do País.

Errados? Não! Em nada! O futebol jogado dentro de campo é melhor por lá e o marketing também. O espetáculo de uma partida decisiva da Liga dos Campeões, em nada, lembra um jogo da Libertadores de América, para ficar em uma comparação “laranja com laranja”.

A saída para que o futebol por aqui recupere o mínimo de competitividade passa primeiro pelo ato de “não culpar a competência”. Reconhecimento, deveria ser o norte. Remodelar também seria um bom verbo para ser conjugado.

Não há milagre brasileiro na reconstrução do futebol dentro e fora de campo no País. Só se vai chegar a algum lugar, se houver consciência do objetivo a ser alcançado e conscientização do atual estágio, que é ruim.

O Barcelona não deixou para trás o Milan no Brasil ontem. E tampouco virou o clube estrangeiro preferido também. Tudo foi feito passo a passo, contratação a contratação, gol a gol, título a título.

O fato de hoje possuir três craques do futebol sul-americano, o que lhe dá a possibilidade de brigar pelo rótulo de melhor ataque do mundo, talvez tenha sido uma doce coincidência, mas que só fez e faz sentido porque a “América” passou a ser um “porto seguro”, quase uma reserva de mercado de talentos e agora de recursos financeiros, ainda que seja só um pontapé inicial.

Um cenário que deveria despertar o sentido de coletividade dos clubes daqui na direção de uma relação franca, de um debate sério a respeito do seu negócio: o futebol. Até porque neste esporte não existe campeão sem o vice. Não se joga bola sozinho, algo que qualquer criança brasileira sabe!

 

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