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O adeus de Léo Moura ao Flamengo

Jogador do clube mais popular do Brasil por 10 anos, o lateral-direito repete a rotina que marca esse começo de temporada no País: o de voltar a ser um mero exportador de "pé-de-obra".

Maurício Capela

23 de fevereiro de 2015 | 14h51

“Uma vez Flamengo, sempre Flamengo…”. Apesar de existirem centenas de outras boas estrofes de hinos de clubes de futebol espalhados pelo Brasil, talvez essa seja uma das melhores para definir o momento em que um jogador resolve dar “adeus” ou “até logo” a um time. Talvez…

Talvez, porque o atual lateral-direito do Clube de Regatas do Flamengo, Léo Moura, ainda não revelou se preparou algum discurso especial para usar no próximo domingo, quando vai encerrar sua passagem de 10 anos vestindo a “pesada” camisa de número 2 desse gigante do futebol verde-amarelo.

Com cinco Campeonatos Cariocas, duas Copa do Brasil e um Brasileiro na bagagem, Léo Moura topou arrumar as malas em direção ao candidato a novo eldorado do futebol mundial, os Estados Unidos.

A saída de Léo Moura certamente não surpreende, uma vez que o futebol brasileiro vem dando sinais de que os tempos de repatriação de atletas ou mesmo de contratação de estrelas do futebol mundial ficou para trás. O País voltou a ser um mero exportador de “pé-de-obra”. Pena!

Léo, contudo, nada tem com isso e inteligentemente topou o desafio de jogar em uma liga que promete crescer. Apesar de ninguém ao certo saber se os Estados Unidos finalmente vão deslanchar de vez no mundo do “soccer”, mesmo que o movimento atual pareça mais intenso e consistente que as tentativas anteriores. E o lateral tem tudo para se encaixar.

O agora ex-jogador do Mengo tem boas chances de dar certo, porque ao longo dessa década, sempre demonstrou comprometimento com o clube, jogando uma bola redonda na conquista do último Campeonato Brasileiro pela agremiação em 2009, por exemplo.

Aos 36 anos, então, eis a grande chance do atleta se consolidar financeiramente e, de quebra, ainda deixar o gostinho de “quero mais” para o torcedor do Flamengo.

Léo Moura pode até não ser craque – e, de fato, rotulá-lo de bom jogador seria mais correto -, mas deixará o clube com ares de ídolo. Não só pelo comprometimento, empenho e identificação, mas principalmente porque foi hábil para escolher o momento e as razões da saída.

O agora jogador do Fort Lauderdale Strikes sai como ídolo, porque usou da mesma transparência, que define o seu jogo, fora de campo. E isso é tão importante no mundo do futebol como chegar a linha de fundo, levantar a cabeça e colocar a bola na cabeça de seu companheiro de equipe. E Léo Moura, agora, mostrou que faz bem essas duas funções. 

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