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O engenheiro e o arquiteto do Corinthians no Brasileiro

Nessa construção rumo ao título de campeão brasileiro deste ano, o toque refinado de Renato Augusto, o arquiteto, e a consistência de jogo de Jadson, o engenheiro, têm sido fundamentais nessa impressionante campanha do clube, cujo índice de aproveitamento a cinco rodadas do fim é de 73%.

Maurício Capela

27 de outubro de 2015 | 14h57

A contagem é regressiva. As contas estão à mesa. E a ansiedade já pulsa no coração de cada torcedor do Corinthians.

Dono de cinco títulos nacionais, o clube paulista está prestes a consolidar umas das mais impressionantes campanhas já feitas no campeonato brasileiro na era dos pontos corridos. Seu índice de aproveitamento é absurdo, próximo dos 73% a cinco rodadas do fim, e o restante dos números só confirmam a consistência da campanha: melhor defesa e ataque mais positivo da competição.

É claro que boa parte dessa excepcional campanha passa pelas orientações do técnico Tite. Mas não é só, claro. A obediência, o entendimento e a aplicação tática no gramado transformaram o clube em uma máquina de vitórias no Brasileiro deste ano.

Mas todo esse conjunto de determinações bem executadas pelo time nos jogos só funciona porque um setor as faz bem, muito bem, o meio de campo. É nesse pedaço do time que o jogo do Corinthians pulsa. E pulsa forte.

Mesmo reconhecendo o valor da mobilidade de Elias e Malcom, e o poder de marcação de Ralf e Bruno Henrique, há dois jogadores que dão o tom, Jadson e Renato Augusto.

 

Os dois funcionam em harmonia. Cada qual se moldando às movimentações do jogo e exibindo as devidas qualidades individuais.

A impressão é que o Corinthians funciona como uma obra bem feita, sendo Jadson, o engenheiro e Renato Augusto, o arquiteto. Jadson sabe moldar as jogadas, distribuir as bolas, acelerar o jogo e manter a meia distância do gol adversário. Já Renato Augusto se movimenta mais, refina a jogada e se infiltra frequentemente na área do oponente.

A consistência de Jadson e o toque refinado de Renato Augusto se completam de maneira harmoniosa nesse Corinthians. Uma dupla que, em tempos de senões no futebol verde-amarelo, poderia desempenhar função idêntica na Seleção Brasileira, em que pese o ótimo Lucas Lima, do Santos.

Mas de toda forma, mesmo reconhecendo o entrosamento desses dois pensadores do setor de meio de campo do Corinthians, é impossível individualizar o desempenho do time. Não seria justo!

Tudo no Corinthians de hoje funciona no gramado. Os diversos compartimentos se entendem dentro de campo, o que tira o espaço do adversário e o força, em boa medida, a errar. E errar diante desta equipe bem treinada por Tite significa quase sempre levar um gol. E um gol a esse Corinthians basta.

O Atlético Mineiro, portanto, terá dura missão pela frente no próximo fim de semana. Além da desejada vitória, seria interessante ao clube criar um resultado que tire o Corinthians dessa zona de conforto. Dessa zona de conforto psicológica.

É por isso que talvez, no fim de semana, uma vitória só não bastará. Será preciso incutir nesse elenco corintiano a dúvida. A dúvida de que o título fuja de suas mãos. E isso somente se faz com uma vitória acachapante.

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