As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

O fantasma “melhor ataque do mundo”

Depois das recentes contratações, o Flamengo tira o rótulo de melhor elenco do futebol brasileiro do Palmeiras e agora precisa lidar com a pressão da sua enorme torcida, além do fantasma dos anos 90. A saber: "o melhor ataque do mundo, Romário, Sávio e Edmundo".

Maurício Capela

07 de junho de 2017 | 18h01

É desnecessário cantar em verso e prosa a grandeza do Clube Regatas do Flamengo. Desnecessário… Como também é uma bela perda de tempo falar da sedução que essa agremiação exerce junto aos grandes jogadores mundo afora, especialmente os nascidos no Brasil. Em cada oito de dez entrevistas de craques verde-amarelos, há sempre uma citação sobre como “seria gostoso jogar uma partida de Libertadores em um Maracanã lotado”. É recorrente e como diz a internet, “aceita que dói menos…”.

No entanto, neste momento em que o Flamengo abre literalmente o cofre e transforma a Gávea no melhor elenco do futebol brasileiro, sim o Palmeiras ficou para trás, eis que surge no inconsciente coletivo dos milhões de torcedores do Rubro-negro a lembrança do “melhor ataque do mundo”. A saber: Romário, Sávio e Edmundo.

O melhor ataque do mundo, e era um trio que metia medo em todos os adversários no momento em que foi formado, em 1995, só não conheceu a segunda divisão nacional por uma questão de detalhes. Nada deu certo naquele esquadrão do melhor ataque do mundo, que havia sido montado por conta do centenário rubro-negro.

Pois bem… Em 2017, gastando os tubos, o Flamengo arruma um time que do meio para frente fará inveja a qualquer torcedor do futebol sul-americano. Além da promessa Vinicius Junior, o elenco rubro-negro ainda ostenta Conca, Diego, Mancuello, Ederson e, agora, Everton Ribeiro. Sem falar em Arão, Romulo, Cuellar e no peruano Guerrero.

Portanto, não precisa ter muita familiaridade com a bola para perceber que o Flamengo desponta como favorito ao título nacional, mesmo somando 6 pontos em 4 rodadas e estando quatro pontos longe da líder Chapecoense.

Mas o desafio do técnico Zé Ricardo não é só se livrar da má lembrança do “melhor ataque do mundo” que era repleto de craques. O ponto crucial do trabalho desse jovem e promissor treinador será gerenciar os anseios da nação.

A torcida do Flamengo vai lotar o estádio, não tenha dúvida. E vai exigir o caneco do Brasileiro, como dois e dois são quatro.

Mas tem mais. A nação, como gosta de ser chamada, ainda vai cobrar, de quebra, que o treinador arrume lugar para essa quantidade de craques no time. A saber: Diego, Rômulo, Conca, Everton Ribeiro, Guerrero e Vinicius Junior.

É aí que Zé Ricardo vai precisar demonstrar equilíbrio e conhecimento, uma vez que um time não vive só de atacantes, vive de equilíbrio. E ganhar o Brasileiro no formato pontos corridos exige equilíbrio.

O fato, contudo, é que com recursos à mão, o Flamengo voltou a ser Flamengo. Agora, resta voltar a ser o time que encantou nove entre dez garotos no início dos anos 80, quando a orquestra era regida por Zico, o galinho, mas tinha Andrade, Adílio, Tita e o goleador Nunes, sem contar os craques das laterais Junior e Leandro. Ou seja, tinha equilíbrio.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.