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O furacão Fred

Nesse embate Levir Culpi e Fred, o que parece estar em jogo é o exercício da liderança no Fluminense. Mas o que chama a atenção é como dois sujeitos instruídos e vencedores não conseguem chegar a bom termo, uma vez que no fim das contas quem vai perder é a torcida, porque deixará de ver um ídolo fazer história no clube.

Maurício Capela

13 de abril de 2016 | 15h03

O Fluminense está em meio a um furacão. O furacão Fred. Ídolo da torcida, identificado com as coisas das Laranjeiras, Fred tem sido imprescindível ao clube e o clube imprescindível a ele… Até o último fim de semana.

Fred sempre foi goleador. Atacante de área mesmo, daqueles bons, que resolvem o jogo em questão de segundos, desde que a bola chegue à área com alguma qualidade. Pelo Fluminense, é o terceiro maior artilheiro da história, com 167 gols, e acaso permanecesse no time, certamente, iria alcançar o segundo na lista, Orlando Pingo de Ouro, que soma 184 tentos.

Mas a questão não é a qualidade técnica e tampouco a quantidade de gols do jogador. O que está em jogo nas Laranjeiras é o posto de liderança.

De longe, nem dá para saber o que ocorreu no termômetro sempre quente do vestiário. Impossível chegar a bom termo se o treinador Levir Culpi ou Fred exageram no tom, na conversa ou na retórica.

No entanto, o resultado desse diálogo parece não deixar dúvidas quanto ao desfecho. Fred vive os estertores no Tricolor.

A bem da verdade, perdem todos. Fred, cuja identificação com o clube se mistura à vitoriosa carreira, e Levir Culpi, que deixará de ter um jogador de qualidade e difícil de ser achado no Brasil.

O que surpreende é que Culpi e Fred são grandes no mundo da bola. Levir é técnico até para Seleção Brasileira, conhecedor de tática, bom treinador, vê o jogo à beira do gramado e os times treinados por ele raramente viram presa fácil do adversário. É sujeito de ponta no mundo da bola!

Fred, que acabou recebendo carinho todo especial após a vexatória participação de todos os jogadores no Mundial de 2014 no Brasil, teve tempo no Fluminense para curar feridas. Feridas profundas e de difícil cicatrização.

Portanto, fica difícil entender como essa turma experiente não consiga fechar questão sobre algo tão simples, a confusão em ambiente de trabalho. Claro que por militarem no futebol tudo ganha proporção enorme, mas ainda assim, mesmo sob o manto do estrelato, haveria espaço para um diálogo franco e aberto, se é que já não houve. Porque se não houve, é preciso que alguém o faça.

De tudo, contudo, é que o único perdedor nisso é o Fluminense e, naturalmente, a torcida. Além de qualificar um rival no Brasileiro deste ano, uma vez que Fred já não tem mais mercado na Europa, talvez na China, mas isso é outra estória, a saída do jogador congela a história do time.

Nos dias de hoje, com tanto Messi e Cristiano Ronaldo na “veia” dos jovens torcedores, tem sido difícil ao clube brasileiro fidelizar a meninada, uma vez que para isso precisa-se de ídolos. E os do Fluminense vão perder essa oportunidade. A de ver um ídolo pendurar a chuteira no clube e, de quebra, se tornar o segundo maior artilheiro do Tricolor. Pelo jeito, só o Sobrenatural de Almeida teria alguma ideia, dessas geniais, para por fim à contenda.

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