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O futebol é laranja!

A morte de Cruijff eterniza a máxima no futebol de que reconhecimento necessariamente não se dá apenas via títulos, mas também pela qualidade de jogo apresentada e nisso Cruijff, jogador e treinador, foi mestre.

Maurício Capela

24 de março de 2016 | 16h44

A escala Pantone, tão usada por publicitários e designers, é definitiva. Não deixa espaço para interpretação ou senão. No critério, por exemplo, verde é verde, em todas as variações e tons, mas ainda verde.

No mundo dessa escala de cores, a precisão, a magia, a lucidez e o brilho costumam dar o tom. Qualificar mesmo! Caracterizar, realçar, fazer brilhar um quadro, uma película, um anúncio, uma camisa. Uma camisa de futebol, por exemplo!

 

Foi assim, de posse dessas mesmas premissas que uma camisa de futebol de número 14 e, que segundo a tal escala passou a se denominar como laranja, fez o futebol encontrar um novo futebol. E parece que nada foi por acaso. Tudo foi muito bem pensado, mecanicamente bem estruturado!

A tal ponto que ficou praticamente impossível dissociar laranja, camisa 14 e movimentos mecânicos de futebol bem jogado. Esse encontro redefiniu as fronteiras do jogo num movimento inspirador de passes curtos, de movimentação constante, de arremate próximo à meta adversária e de cadência. A partir de então, tudo era uma laranja mecânica. Em outras palavras, tudo era a Holanda de 1974 e 1978 de Johan Cruijff.

Cruijff, dizem, foi um gênio em campo, mas um gênio que não vi. Não tive a chance. Os parcos vídeos, que já emergiram, insinuam, de fato, um perfil de um líder nato, dono de rara habilidade com a bola e consciente dos espaços dentro de campo. Características que, para mim, ficaram claras quando vi, agora sim, Cruijff no banco de reservas do Barcelona.

Há um Barcelona antes de Cruijff e um Barça depois desse excepcional treinador e jogador. O dono da camisa 14 aplicou no Barça, à exatidão, os mesmos conceitos da Holanda em que jogava. A saber: a triangulação, posse de bola, aceleração de jogo, entre outros aspectos.

Mas ao contrário da Holanda, Cruijff levantou taças, sendo o mais emblemático de todas a então Copa dos Campeões da Europa de 1992.

Contudo, o legado em termos de conquistas pouco importa quando se fala de Cruijff. Para quem gosta de futebol bem jogado, e que percebe o quão nocivo pode ser essa busca pela vitória a qualquer custo ou a qualquer preço, vai sempre lembrar de Cruijff, porque o holandês conseguiu algo tão raro quanto uma Copa do Mundo, virar sinônimo de futebol bem jogado.

A morte de Cruijff somente sacramenta o mito. O mito da Laranja Mecânica e o mito de que Cruijff era amante do futebol bem jogado. E não era só amante, era cúmplice, fiel escudeiro e ciente do talento alheio. Tanto que ao olhar para um atacante baixinho endiabrado, logo o definiu, Romário é o “gênio da grande área”. Pelo jeito, o futebol também perdeu um excelente analista do jogo!

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