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O Maracanã poderá curar a ferida dos 7 a 1

Acaso os brasileiros eliminem os hondurenhos e os alemães despachem os nigerianos, um dos maiores palcos do futebol no mundo tem tudo para ser a injeção de ânimo e autoestima que a Seleção Brasileira necessita, depois do vexatório 7 a 1 da Copa do Mundo de 2014.

Maurício Capela

15 Agosto 2016 | 19h07

Geniosos, sarcásticos e irônicos. Os deuses do futebol adoram um senão. Sempre que possível costumam criar uma situação única, dessas que captam a atenção de cada um dos habitantes da Terra.

Às vésperas das semifinais do futebol masculino dos Jogos do Rio, os deuses parecem já esfregar as mãos, como se já vissem lá na frente, no horizonte, um palco sendo armado do tamanho que o futebol merece: o Maracanã, o Estádio Mario Filho.

Com o perdão e o respeito que Nigéria e Honduras merecem, afinal são semifinalistas e podem adiar esse encontro, a licença poética pede passagem. E acaba por justificar este exercício de futurologia.

Até porque não haveria melhor lugar para sediar esse encontro que um templo do futebol, o Maracanã. Palco de traumas e complexos para o futebol brasileiro.

A cicatriz dos 7 a 1 da Copa do Mundo de 2014 ainda está aberta. Mesmo já eternizada, mesmo já transformada em história, a impiedosa goleada aplicada pelos alemães atingiu a autoestima nacional como poucas vezes na história do País.  Desde lá, o Brasil nunca mais foi a seleção mais vitoriosa do planeta.

Eliminado em competições onde normalmente daria as cartas, fora do grupos das quatro melhores seleções que vão a Copa do Mundo da Rússia, em 2018, o Brasil de hoje é um arremedo de sua vitoriosa história nos gramados.

 

Até os 7 a 1, muito se teorizava, muito se vaticinava, muito se imaginava… Os 7 a 1 materializou o pouco cuidado com as categorias de base nas últimas décadas, estampou o malefício de se achar o melhor em um esporte, trouxe à tona a pouca discussão qualitativa sobre tática dentro de campo, enfim, escancarou nosso comportamento arrogante de que o talento brota do chão e isso basta. Mas não, não basta!

O Maracanã, um dos principais palcos do mundo do futebol, pode curar as chagas de uma camisa acostumada a golear e não ser goleada. Mas o Maracanã tem alma. Não aceita desaforo. E da mesma maneira que poderá nos trazer à baila, poderá nos lançar no limbo da autoestima futebolística.

O Maracanã entorpecido pela massa verde-amarela poderá colocar os devidos pingos nos “is” neste eventual confronto Brasil e Alemanha. Mas assim como todo remédio, o perigo mora na dose.

Diante de uma Alemanha jovem, desprovida de suas principais estrelas, como é de se esperar nos Jogos Olímpicos, o peso do Ouro, que já não é administrável pelos jogadores brasileiros normalmente, deverá ganhar reforço. O reforço da obrigação.

Afinal, dentre os 22 possíveis que lá estarão, quem será a estrela-maior? Para quem os olhos da massa verde-amarela irão olhar? A quem recorrer para que a recuperação da autoestima comece no futebol, símbolo de nossa cultura? Acertou quem soletrou Neymar Junior.

Se o craque do Brasil já ficou incomodado com tamanha cobrança, ele não sabe então o que o aguarda em um eventual Brasil e Alemanha, quando os olhos do mundo do futebol terão somente um ponto fixo: o Estádio do Maracanã, para um jogo, cujos adjetivos já são completamente desnecessários.

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