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O São Paulo perdeu a fé em si próprio?

Endividado e imerso em uma crise política, o clube deixou para trás o legado de boas práticas de gestão, que se refletiram no uso de seu estádio como principal palco de shows, na manutenção de treinadores mesmo depois de campeonatos desastrosos e na certeira aposta no amadurecimento de craques de futebol.

Maurício Capela

13 de outubro de 2015 | 16h08

O São Paulo, há tempos, já não é o mesmo! Já não arranca admiração, mesmo que sob o formato de raiva, dos adversários. Já não inspira a gestão de nenhum rival. Já não inova no futebol brasileiro.

O São Paulo, que surgiu pós-construção do Estádio Cícero Pompeu de Toledo, o Morumbi, data de sua primeira revolução, parece uma página virada no mundo do futebol brasileiro. Com dívidas que beiram os R$ 270 milhões, o clube da Fé, que um dia ousou parar a moeda em pé, parece ter perdido a fé em seus ideais.

O São Paulo inovador dos anos 80, pergunta-se o torcedor, desapareceu? Onde está o São Paulo que introduziu no futebol brasileiro o conceito de centro de treinamento? E o São Paulo diferenciado, sim diferenciado, que se dava ao luxo de contratar um atacante como Careca junto ao Guarani em 1983 e ter a sacra paciência de esperar até 1985 até que Careca fosse Careca?

O São Paulo, acostumado a bancar treinadores derrotas após derrotas, não reside mais na Praça Roberto Gomes Pedrosa. Hoje, nem parece que ali é a sede desse Tricolor do Morumbi dos anos 80.

Um time, que entre 1985 e 1993, venceu um campeonato atrás do outro. Só não venceu alguma competição em 1990, ano inclusive em que o São Paulo somente não caiu para a segunda divisão do Campeonato Paulista de maneira formal, porque o regulamento abria um sem número de brechas. Brechas que culminaram em uma segunda divisão disfarçada no ano seguinte, mas com o bônus de brigar pelo caneco paulista em 1991, vencido pelo clube, inclusive.

Essa sequencia, aliada ao Estádio do Morumbi como palco principal de qualquer show que se aventurasse em direção a São Paulo, a maior cidade da América do Sul, transformou o São Paulo em potência. Tanto que sua torcida aumentou de maneira exponencial, enterrando inclusive a frase de “torcida de final”. O São Paulo vivia a sua segunda revolução a pleno vapor.

O clube era pop, e no melhor sentido da palavra. Ganhava tudo, sediava os principais shows de São Paulo, seu centro de treinamento era modelo e a gestão funcionava.

Mas tinha mais. Tinha a cereja do bolo, porque o clube havia resgatado Telê Santana para o mundo da bola. Telê, que deveria ter vencido àquela Copa do Mundo de 1982, realizou-se no bicampeonato mundial de clubes à frente do São Paulo. Diante de potências… Pela ordem, Barcelona e Milan!

Depois, claro, veio o período em que a concorrência se organizou. O marketing esportivo desembarcou no País e os seus efeitos globais também, iniciando-se a era em que o Brasil começava a perder talentos em demasia para a Europa.

Mesmo assim o São Paulo ousou. Venceu a Libertadores de América em 2005, o que lhe credenciou a pegar pela proa o Liverpool. E derrotá-lo, tornando-se campeão mundial de clubes pela terceira vez!

Mas hoje o passado parece não servir mais de bússola ao São Paulo. O clube dá sinais de que se perdeu no trajeto entre Cotia, onde está as categorias de base, Barra Funda, o Centro de Treinamento, e o Morumbi. Em algum ponto desse circuito, o Tricolor do Morumbi perdeu a fé… A fé na gestão, nas categorias de base, na manutenção de projetos técnicos e táticos. Enfim, perdeu ou se perdeu? Ninguém sabe dizer ao certo!

O fato é que quando se perde a fé naquilo que o transformou em algo relevante, talvez seja hora de uma profunda revisão. Revisão de valores!

Sem recuperar o seu DNA, o Tricolor do Morumbi não vai construir futuro. E ficará preso a um passado de glórias, que já lhe apresenta a conta: 10 anos sem vencer campeonato paulista, Libertadores e Mundial, além de sete sem levantar a taça de campeão nacional. O São Paulo precisa de uma quarta revolução!

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