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Palmeiras e a tese de Bobby Charlton

Craque do futebol inglês tinha apreço pelos bons jogadores de meio de campo, um setor que pouco produz no Palmeiras depois das ausências de Gabriel e Arouca.

Maurício Capela

15 de outubro de 2015 | 16h06

Bobby Charlton, meia cerebral daquela Inglaterra campeã do mundo de 1966, costumava se referir à linha de médios, ou seja, ao meio de campo, como engrenagem fundamental para o jogo. Pois bem… Se Charlton acaso desse uma passada d’olhos no Palmeiras deste Campeonato Brasileiro certamente reforçaria sua crença.

Perto do fim da temporada 2015, duas dezenas e meia de contratações e uma alteração no comando técnico da equipe, o Palmeiras, que se encaminha para o fim do ano, é um time cujo trabalho ainda está por ser feito. Porque várias contratações não funcionaram e somente alguns tomaram para si a condição de protagonistas. A saber: Rafael Marques, Arouca e Gabriel. E dos três, dois estão fora.

As ausências de Gabriel e de Arouca em relação com o atual momento do Palmeiras nos dois campeonatos apontam o dedo na direção correta. Na direção de Charlton. Qual seja? Sem uma boa saída de bola e boa marcação próxima ao sistema defensivo, um time desejoso por títulos lá não chega.

Arouca e Gabriel não são, contudo, insubstituíveis. São ótimos jogadores, é verdade. Mas sem eles, o Palmeiras disputará a quarta vaga no Campeonato Brasileiro e também a condição de brigar pelo título na Copa do Brasil de maneira diferente.

O Palmeiras, sem essa bola qualificada do setor de defesa, vai viver do ótimo Lucas e das descidas de Egídio. Vai viver da bola esticada, da bola longa em direção ao ataque e, portanto, da movimentação de Dudu ou de Gabriel de Jesus. Suficiente? Talvez! Ideal? Não!

Não, porque o Palmeiras não fez quase três dezenas de contratações à toa. Não trocou de técnico à toa. Fez tudo isso pelo desejo de faturar o nono título de campeão brasileiro. E este não virá. Dificilmente, virá.

Ficará para uma próxima, porque esse jeito de jogar futebol é insuficiente para vencer os times que estão à frente na tabela. O Palmeiras tem um desempenho técnico inferior a Corinthians, Atlético Mineiro, Grêmio e Santos. Equivale-se a seus pares de colocação, como Flamengo, Ponte Preta ou São Paulo. Em outras palavras, oscila. Oscila muito.

Só que a briga por título sob o formato de pontos corridos não tem apreço pela oscilação. É a média dos embates que garante o título e não arroubos. Arroubos, como uma sequencia de vitórias, somente servem à arquibancada, mas não constróem conquistas.

Isso posto… Eis o dilema do técnico Marcelo Oliveira… Observar criteriosamente o que foi feito nesta temporada, tomar decisões já para a próxima e não prover falsas esperanças para o amanhã. Um desafio e tanto! Até porque conquistas também são feitas a partir de esperanças.

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