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Palmeiras e o risco “Japão”

Oswaldo de Oliveira nega que exista proposta para dirigir a seleção do Japão e ao Palmeiras só resta estar preparado para que uma troca de técnico não aconteça no meio da temporada, o que prejudicaria o clube.

Maurício Capela

27 de fevereiro de 2015 | 15h27

Reza a lenda que onde há fumaça, certamente existe fogo. E neste momento a fumaça vem de muito longe, mais precisamente da parte oriental do planeta. Seu destino? Ninguém ainda sabe ao certo, mas há alguma possibilidade desta fumaça atravessar todo Oceano Pacífico, deixar para trás a Cordilheira dos Andes e desembarcar em São Paulo, mais precisamente na Sociedade Esportiva Palmeiras.

A fumaça começou a se formar no início de fevereiro, quando a seleção do Japão disse “muito obrigado” ao mexicano Javier Aguirre. A partir daí, lentamente o nome do atual treinador do Palmeiras, Oswaldo de Oliveira, começou a ganhar corpo.

Mesmo tratando de dissipar a fumaça, Oswaldo de Oliveira sabe que seu trabalho no Kashima Antlers deixou saudades por lá. Foram nove títulos entre 2007 e 2011, sendo três campeonatos nacionais, o que naturalmente credencia qualquer treinador ao posto de técnico da seleção.

Oswaldo de Oliveira tem contrato com o Palmeiras até o fim da temporada. E seu discurso é o mais correto possível, qual seja, o de cumprir o compromisso até o fim. Não dá para realmente o técnico falar sobre suposições e também discorrer sobre o tema. Ainda não dá!

O problema em toda esse bom comportamento do técnico do Palmeiras é que o ritmo do futebol no Brasil não obedece qualquer lógica. Oswaldo de Oliveira, hoje tido como peça central da reconstrução alviverde, pode virar a “Geni” da bola se registrar uma sequência de três ou quatro resultados ruins.

Otto Glória, grande treinador do século passado, já havia identificado esse comportamento há mais de 40 anos, adjetivando o trabalho de técnico como”besta ou bestial”.

Então, estrategista como é, Oswaldo de Oliveira, mesmo não falando a respeito de hipóteses, sabe que tudo por aqui é instável. Uma instabilidade desnecessária, exagerada, mas é assim que tem se comportado o futebol no País.

Ao Palmeiras, só resta monitorar. Até porque uma eventual saída do técnico seria um enrosco, claro, mas não seria inadministrável. Simplesmente, porque Oswaldo de Oliveira ainda está no estágio inicial de trabalho. O treinador não definiu claramente a cara do time, procura também o melhor esquema de jogo e vem encaixando as melhores peças que têm à disposição. Está tudo muito no começo.

Portanto, mesmo não existindo momento ideal para nada, caso tenha que sair, para o Palmeiras, o ideal seria agora, no início. E não mais para a frente, sob pena de o clube se ver novamente na situação de 2014, quando sem saída, resolveu trocar de treinador em meio ao campeonato mais difícil do ano, o Brasileiro.

Trocando em miúdos, tudo que o Palmeiras não precisa para esta temporada é repetir os erros de 2014. 

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