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Pedrinho e o Clássico

"Garoto" vibrou com a vitória do Santos por 5 a 0 contra o Botafogo, mas não vai ao jogo contra o Palmeiras no domingo. Motivo: medo de confusão!

Maurício Capela

17 de outubro de 2014 | 15h40

Pedro Henrique é novinho de tudo… Menino de calças curtas, nem uma década de vida completou ainda, mas ama como gente adulta o esporte mais popular do planeta: o futebol. E nesta quinta-feira o pequeno, que nem é tão pequeno assim, porque essas crianças de hoje crescem tão rápido que nem nos damos conta, não deu trégua ao seu pai. Queria, porque queria, ir ao estádio do Pacaembu para ver o seu time do coração.

Insistente que só, Pedrinho dobrou o “velho”, apesar de seus planos serem mais ambiciosos… Pedrinho desejava mesmo era encaçapar de uma vez só a quinta-feira à noite e o domingo à tarde…

Por ora, o garoto faturou a quinta. E lá se foram Pedrinho, Pedro, o pai, e um amigo da família, o João. Os três embarcaram juntos em direção a um tempo que já não existe mais. Para Pedrinho, de fato, nunca existiu, mas para a dupla de adultos não saía da memória a final do Brasileirão de 1995.

Pedrinho ouvia tudo atento… Histórias, lances, erros de arbitragem, a dificuldade em comprar um ingresso… O rosário era e foi extenso!

Lá pelas tantas, Pedrinho resolveu lançar um desafio em direção aos adultos entendidos de bola. E perguntou qual seria o placar do jogo, diante de um terrível adversário que já havia ganho um título contra o Santos. Os “velhos” se entreolharam e arriscaram um magrinho000 1 a 0. Pedrinho sorriu, um sorriso maroto de quem ansiava por mais, mas calou-se!

Vestido à caráter, com a tradicionalíssima camisa branca, com nome às costas de “Neymar Jr.”, o pequeno Pedro olhava tudo maravilhado. O “mar branco” de santistas lentamente tomava as dependências do Pacaembu e o garoto, enfeitiçado pela eletricidade das arquibancadas, deixava-se levar.

Vibrou uma, duas, três, xingou quando o árbitro corretamente anulou o gol de Gabriel, que estava em impedimento, e não parava de sorrir. Um sorriso fácil, que escondia um “eu sabia que ganharíamos de mais”. Veio o segundo tempo e o Santos não dava folga ao Botafogo, Pedrinho tampouco. Pulava e voltou a vibrar com mais dois gols do time da Vila Belmiro.

Ao final, Pedrinho nem de longe demonstrava sinais de cansaço. Pelo contrário! Se houvesse novo jogo na sequência, Pedrinho certamente estaria nos cascos para nova saraivada de gritos, pulos e vaias.

Pedro, o pai, entendeu o recado e mesmo sem o garoto balbuciar uma só sílaba, de antemão já decretou: “Pedrinho, Pedrinho, pode esquecer, porque domingo veremos o jogo pela televisão, ouviremos pelo rádio, mas no campo não!”.

A negativa foi tão forte, que Pedrinho nem tentou argumentar. Calou-se! Assim, como a violência ou o medo dela vem calando cada vez mais rápido o gosto pelo esporte no Brasil. Que tenhamos um Palmeiras e Santos, no domingo, civilizado e tranquilo!