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Porque concordo com Rogério Ceni.

A ideia de Ceni em colocar Rodrigo Caio como um jogador de meio de campo, como o "1" do famoso esquema "4-1-4-1", demonstra como o "jovem" treinador do São Paulo vem dando importância ao setor de criação do time, um acerto para que o São Paulo volte a ser competitivo.

Maurício Capela

04 Fevereiro 2017 | 14h21

O título é afirmativo. Mas vou transformá-lo em pergunta por aqui. Por que concordo com Rogério Ceni no que diz respeito a Rodrigo Caio? A resposta é simples. Porque Ceni está certo.

Rodrigo Caio é visto como zagueiro até pelo técnico da Seleção Brasileira, Tite. É fato. Mas Caio tem bola para muito mais, além de trombar com atacantes fortes pelo alto. O atual zagueiro do São Paulo tem futebol refinado suficiente para ser um daqueles jogadores que orquestram qualquer meio de campo. E qualquer mesmo, até de clubes europeus.

Dono de uma qualidade de passe rara hoje no futebol brasileiro, Caio deveria exercer a função de homem imediatamente à frente da linha de quatro zagueiros. No propalado esquema 4-1-4-1, onde o primeiro “1” é um sujeito que faz a bola sair redonda da linha de zagueiros, que tem fôlego para substituir um defensor ou mesmo encolher a tal ponto que vire até um terceiro zagueiro. Nesse esquema, o primeiro “1” precisa também ser capaz de cobrir um lateral e, principalmente, ser capaz de dar um passe certo de 30 metros, por exemplo.

Por tudo isso, e principalmente pela capacidade de leitura de jogo, Rodrigo Caio há tempos já deveria ter deixado de ser zagueiro. E virado dono da “cabeça de área” do São Paulo para usar uma terminologia daquelas bem antigas.

Ceni, portanto, tocou no ponto. E mesmo tendo exagerado na comparação com Casemiro, afinal, Casemiro amadureceu, porque bola sempre teve, e consegue desempenhar a função do tal “1” com muita propriedade no Real Madrid, Caio pode enveredar por um caminho interessante.

Tem mais. Claro que olhando para Seleção Brasileira, Rodrigo Caio terá logo de cara uma concorrência brava com Casemiro, hoje titular de Tite com muito merecimento. Mas inteligente como é, poderá evoluir a tal ponto que transforme hoje a titularidade absoluta de Casemiro em questionável até o Mundial de 2018.

No entanto, para que a previsão vire realidade, Caio precisará desejar virar o tal “1” do esquema. Dentro de campo, é uma função desgastante, porque obviamente esse jogador fica sobrecarregado quando se prioriza a mobilidade de quatro meias. Mas vale a aposta.

Portanto, cabe a Caio entender que é uma oportunidade e não um fardo. E a julgar pelas palavras do hoje técnico Ceni, Caio poderá já ter notado que essa posição em campo tem tudo para ser chamada de sua no São Paulo ou em qualquer outro clube.