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Porto e a lógica de mercado na Europa

Prestes a vender Alex Sandro, ex-Santos, para Juventus da Itália, o Porto mais uma vez demonstra sua capacidade em garimpar jogadores na América do Sul e negociá-los por um valor três, quatro vezes maior que o pago.

Maurício Capela

19 Agosto 2015 | 16h23

O Futebol Clube do Porto dispensou o mapa. Afinal, se há alguém que conhece bem a rota dos “mares nunca d’antes navegados”, este alguém é os portugueses. O Porto, portanto, só teve um trabalho: o de percorrer a rota. Ampliada, na verdade. Mas ainda assim uma rota… A rota em direção à terra dos jogadores sul-americanos.

O Porto sempre teve lá apreço por atletas “made in Brazil”, desde o atacante Juary, ex-Santos, até o zagueiro Geraldão, ex-Cruzeiro. Mas hoje é diferente. Hoje, o Porto transformou o futebol sul-americano em um verdadeiro fornecedor de pé-de-obra em escala industrial. E de bom pé-de-obra!

Perto de negociar o lateral Alex Sandro, ex-Santos, com a Juventus de Turim, o Porto dá mais uma mostra de como faturar milhões de euros pelo simples fato de disputar as principais competições da Europa. E essa é uma grande vantagem em relação ao mercado brasileiro, por exemplo.

Mas não é só isso. O Porto sabe maturar seus candidatos a ídolo na Europa. Sabe passar aos atletas o clima de disputa de uma liga no Velho Continente, a demanda por profissionalismo, a cobrança, o planejamento. E tudo isso é feito no Campeonato Português.

Em outras palavras, é como se o jogador tomasse ciência do patamar em que está inserido em uma liga competitiva, mas que tem uma qualidade técnica inferior à Espanha, Inglaterra e Alemanha.

Em Portugal, há como errar e se recuperar. O mesmo já não se pode dizer em relação as três ligas citadas. Na Espanha, na Alemanha e na Inglaterra, o jogador precisa chegar pronto, prontíssimo, porque se ali não render, na próxima janela será chutado em direção a qualquer outro mercado menor.

Mas o jogador maturado pelo Porto ainda tem outra vantagem. Além de tomar ciência do nível de competitividade na liga do país, o atleta ainda enfrenta os grandes jogadores do futebol europeu, uma vez que o Porto é figurinha carimbada na Liga dos Campeões do continente.

Ou seja, quem estiver pronto e render diante dos grandes, evidentemente, entrará no radar das potências da Europa. E daí para uma transferência é um pulo, fazendo com que o Porto encha o cofre com milhões e milhões de euros.

Portanto, essa é a lógica do negócio, que os clubes brasileiros somente vão quebrar se puderem colocar o nariz para fora do País. É por essa razão que o calendário nacional precisa ser modificado. Sem internacionalizar os grandes clubes do País de vez, não há como gerar interesse das potências de lá.

Sem isso, sem essa troca de experiências, de interesse, o Porto ou qualquer outro clube europeu, que faça o mesmo trabalho, manterá intacto seu papel nessa lógica de negócio. Um papel imprescindível.

Em outras palavras, ou os clubes brasileiros ganham o mundo…. Ou vão ter que aceitar a condição de fornecedor de matéria-prima, de boa matéria-prima.

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