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Portuguesa e a sua luta pela sobrevivência!

No próximo domingo, a Lusa vai receber o Tombense pela última rodada do Brasileiro da Série C e depende de uma vitória para passar à próxima fase da competição.

Maurício Capela

26 de setembro de 2015 | 11h33

Um tombo. Um não! Foram dois tombos. Seguidos, diretos, que potencialmente ainda poderão levar à lona um dos clubes mais tradicionais do futebol brasileiro, a Portuguesa.

Esquecida, endividada, receosa em perder o seu maior bem, o Estádio do Canindé, a Portuguesa teimosamente, talvez pensem alguns, sinaliza que deseja viver. E mais! Que pretende recuperar o terreno perdido e se reerguer.

Mas os tempos da bola de hoje são dias hostis aos Leões do Canindé. Mundo afora, inclusive no Brasil, o futebol foi encaixado na lógica de entretenimento, em que  jogadores têm viés de celebridade e em que camisas angariam índices de audiência. Um cenário para lá de desconfortável à Associação Portuguesa de Desportos, pelas óbvias razões.

Portanto, domingo, 4 da tarde, quando os jogadores subirem àquela meia dúzia de degraus que separam o acesso ao relvado e se depararem com o Canindé, eles não vão estar apenas entrando para mais um jogo. Ainda que seja uma partida decisiva. Não! Também não estarão fazendo história pura e simples.

Porque não se trata de história pura e simples. Trata-se simbolicamente de resgate. Sim, o resgate da Lusa do Canindé!

Em outras palavras, domingo não terá o mesmo peso histórico do time campeão paulista em 1973 e nem daquele que faturou a Taça San Izidro na Espanha em 1951. E tampouco o que conquistou a Tri Fita-Azul ou Brasileiro da Série B recentemente. Não!

Os onze ali escalados, além de escreverem seu próprio nome na epopéia Rubro-verde na Série C, terão sob seus ombros o peso de resgatar o suor deixado dentro de campo de alguns mitos do futebol brasileiro, como Brandãozinho, Badeco, Enéas, Djalma Santos, Dener, Candinho,  Capitão,  Otto Glória,  Oswaldo Teixeira Duarte, que empresta seu nome ao estádio, e muitos outros.

Em caso de eliminação para o Tombense, pela última rodada da primeira fase do Brasileiro da Série C, talvez, a vida não ofereça nova chance à Associação Portuguesa de Desportos.

Talvez a vida ainda seja mais cruel e obrigue sua torcida a assistir, sem nada poder fazer, o endividamento tomar conta do clube até que seu patrimônio seja leiloado, suas glórias sejam esquecidas e sua história não passe de uma lembrança para quem viu uma Portuguesa olhar de soslaio o título de campeã brasileira em 1996.

Ou seja, claramente, domingo não será mais um jogo. Será o jogo! E um novo tombo guarda potencial de fatalidade à Associação Portuguesa de Desportos.

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