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Replay Futebol Clube

Análise de lances capitais de Corinthians e Botafogo puniram o árbitro da partida, mas o ideal é que uma séria discussão sobre a inclusão da tecnologia nos campos de futebol fosse conduzida no Brasil e na Fifa, que sempre foi refratária à prática.

Maurício Capela

16 de fevereiro de 2015 | 21h03

Faz um tempo já, talvez duas décadas ou um pouco menos, que futebol e tecnologia passaram a fazer dobradinha nos gramados. Se antes, descobrir a posição de impedimento de um atleta era assunto para quase um programa inteiro de televisão ou para uma noite inteira de prosa em um boteco, hoje, o desenlace não leva mais do que cinco minutos. Basta colocar a imagem no ponto e exibir uma, duas ou três vezes para que, como em um passe de mágica, tudo se resolva.

Pois bem, chegou a vez de Marcelo Prieto Alfieri, o árbitro de Corinthians e Botafogo, realizado no último sábado na Arena do Corinthians, sentir de perto a tecnologia. A Federação Paulista de Futebol, como de costume, fez o seu trabalho: aquele de checar se o árbitro teve bom ou mau desempenho nos lances capitais da partida, que resultou na vitória do Timão por 2 a 1, fruto de dois pênaltis assinalados para a equipe da capital paulista. E o entendimento foi de que não, Alfieri não esteve bem no jogo.

O resultado é que Alfieri foi punido e deverá apitar jogos menores, das divisões inferiores do futebol paulista. Até que a comissão de arbitragem da entidade decida se é hora de voltar ao palco das grandes partidas ou não.

É fato que a tecnologia veio para ficar não só no mundo esportivo, mas em praticamente todas as atividades do ser humano. Claro! Então, por que ainda não se discute como incluí-la em um campo de futebol?

Até porque se lançarmos mão desse jogo entre Corinthians e Botafogo, os lances estiveram longe de serem fáceis para a arbitragem. Primeiro, porque apitar um pênalti a favor do Corinthians aos 48 minutos do segundo tempo em um jogo empatado, que já havia registrado outra penalidade a favor do Timão, nunca é fácil. Depois, porque o primeiro pênalti acomoda uma boa dose de interpretação. Guerrero, que subiu para disputar a bola com Dênis do Botafogo, se estivesse livre, teria condições de cabecear no gol adversário. E um encontrão no alto também poderia ser entendido como falta.

A questão, portanto, não é apontar o dedo para este ou aquele, mas sim o de aceitar que o futebol mudou para todo sempre. O jogo é mais rápido, os atletas correm mais, os lances são decididos em segundos  e o árbitro se encontra no meio de tudo isso. Sozinho e com a enorme responsabilidade de determinar tudo em segundos.

Alfieri, portanto, foi somente a primeira vítima da tecnologia na temporada deste ano, porque novos erros certamente vão aparecer em 2015 e novas punições também, sem que ninguém discuta para valer a inclusão definitiva da tecnologia em um campo de futebol. Sim, porque ele é capaz de catapultar ou afundar carreiras de árbitros, jogadores e técnicos. É um assunto que, sem dúvida, valeria um replay!

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