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São Paulo na pressão!

Muricy Ramalho vai precisar administrar as boas opções de seu elenco, mas os jogadores também deverão ter comportamento profissional, o mesmo que demonstram quando se transferem para Europa e ficam eventualmente no banco de reservas.

Maurício Capela

05 de fevereiro de 2015 | 16h29

Muricy Ramalho, o técnico do São Paulo, dispensa apresentações. Vitorioso, experiente e responsável, o treinador, contudo, parece estar em xeque à frente do Tricolor. Algo até inusitado e de difícil compreensão. Mesmo porque, além de ter enorme identificação com o time, a temporada deste ano mal começou.

O desconforto de Muricy Ramalho é visível. E mesmo o treinador evitando ligar o nome à pessoa, as declarações da diretoria Tricolor nos últimos dias aumentaram a pressão em um momento que ela não deveria existir. Afinal, o Campeonato Paulista está em sua segunda rodada e a fase de grupos da Copa Libertadores de América ainda está longe.

Portanto, seria interessante ao São Paulo aceitar um velho e surrado clichê: o futebol não é ciência exata. Traduzindo, não basta manter boa parte do elenco, o treinador e realizar boas contratações, como o clube acertadamente fez, para que os títulos desembarquem na sala de troféus.

Ganhar títulos no futebol exige, além da combinação entre todos esses pontos já citados, aceitar um elemento para lá de desagradável, mas que se faz sempre presente: a sorte. Afinal, o futebol ainda faz parte daquele rol de práticas humanas que deve ser enquadrado na categoria “jogos”. E é um jogo para lá de esquisito.

Esquisito, porque nem sempre o mais forte, o mais organizado, o mais estruturado vence. Algumas vezes, poucas, na verdade, o mais fraco, o nem tão organizado assim e o bagunçado podem levar a melhor no confronto.

Em outras palavras, aumentar a pressão não vai resolver a lógica do jogo. E não é só no São Paulo. Não é em lugar algum.

Isso, não significa que está tudo conversado também. Ou seja, em caso de derrota, basta escolher uma razão crível e usá-la na explicação. Claro que não! Mas neste hipotético futuro momento será preciso avaliar, de preferência com calma, as razões da queda.

O fato é que Muricy Ramalho, e isso o treinador sabe muito bem, terá um grande desafio imediato, que se chama “administração”. Sim, porque é óbvio que o Tricolor tem o melhor elenco do Brasil, repleto de jogadores badalados que vão externar o desejo de entrar em campo em algum momento.

O que conta favoravelmente ao treinador é sua franqueza no trato com os atletas e sua honestidade. Isso ajuda e ajuda muito na hora de desagradar um e outro.

No entanto, também seria interessante um olhar em direção aos atletas, que no futebol europeu se comportam profissionalmente, quando são sacados das equipes… Mas no Brasil não costumam sorrir quando são relacionados para ficar ao lado do treinador.

Então, apontar o dedo em direção ao técnico soa simples. Mas é preciso também conscientizar os atletas que, no futebol, são 11 jogadores de cada lado a cada início de partida.  E isso aparentemente não vai mudar.

Muricy Ramalho, portanto, tem todo direito de torcer o nariz para essa pressão que não faz sentido no momento. A diretoria, apesar de estar incorrendo em um erro, também pode fustigar e aumentar a temperatura. É um direito dela.

Só que está faltando o básico nessa equação: os jogadores. Eles também precisarão ser profissionais, porque afinal de contas não há clube que proponha contrato com uma cláusula que garanta a titularidade ao atleta.

Em outras palavras, não é o “mimimi” que vai lhe render a posição de titular. Mas sim a capacidade técnica e tática demonstrada em treinos e jogos, assim como acontece na Europa, no Japão ou na China, o novo eldorado da bola.

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