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Seis por meia dúzia!

Em seis rodadas, seis técnicos já foram dispensados no Brasileirão, uma receita que já se mostrou equivocada em 2014, quando os quatro rebaixados também trocaram de treinador, mas não conseguiram evitar a queda para a segunda divisão nacional.

Maurício Capela

08 de junho de 2015 | 15h10

É uma simples conta que pode ser feita mediante duas perguntas. A saber: Quantas rodadas já teve o campeonato Brasileiro? E até agora, qual foi o número de treinadores dispensados? Pois bem… Para ambas questões, a resposta é uma só: seis! Sim, seis rodadas e seis técnicos demitidos.

O número em si já é um absurdo! Mas quando se adiciona elementos como planejamento técnico e financeiro, gestão, objetivos, entre outros aspectos, daí fica claro que planejamento e futebol brasileiro mal se conhecem.

Nessas seis primeiras rodadas, técnicos campeões brasileiro, de Copa do Mundo, de série B pegaram o boné sem que o campeonato tenha completado um terço dos jogos. Um terço!

O impacto de tamanha dança das cadeiras é técnico, mas também é financeiro. Porque além de precisar desembolsar algum para acertar a rescisão, o clube ainda vai ter que se virar para lidar com a demanda de quem chega. Porque quem chega também vai receber salários e pode até querer modificar o planejamento anterior, leia-se plantel.

Portanto, caso o contratado resolva indicar jogadores, lá se vai o rico dinheirinho. Primeiro, porque será necessário abrir os cofres para buscar os atletas e depois porque o elenco poderá ficar inchado. E é aí que o clube acaba entrando no cheque especial.

Entra, porque se o elenco ficar inchado, somente haverá quatro caminhos: venda, empréstimo, manutenção ou rescisão. E a última costuma onerar ainda mais a já combalida finança dos clubes.

Em outras palavras, se o time parasse um minuto e fizesse lá uma conta, logo, perceberia que assumir o equívoco sairia mais barato do que exatamente sair correndo atrás de um “salvador da pátria”. Quer um exemplo?

No Brasileiro de 2014, Vitória, Bahia, Botafogo e Criciúma, os quatro rebaixados à segunda divisão nacional, trocaram de treinadores ao longo da competição. E qual foi o resultado? Nenhum!

O Vitória, por exemplo, viu Ney Franco ir para o Flamengo, trouxe Jorginho, o mandou embora e recontratou Ney Franco. Já o Bahia começou com Marquinhos Santos para depois acertar com Gilson Kleina e por fim terminar o ano com Charles, ex-atacante do time nos anos 90.

O Botafogo também não fugiu ao script. Eduardo Húngaro deu duro no começo e acabou sendo trocado por Vágner Mancini. E o Criciúma foi o recordista deles ao longo do ano passado. Começou a temporada com Ricardo Drubscky, passou por Caio Junior, Vágner Lopes, Gilmar Dal Pozzo e Toninho Cecílio.

O resultado desse troca-troca incessante é que invariavelmente o time mantém o naufrágio, só que mais caro! E sem dinheiro, não há milagre. Não há como investir na reconstrução do clube. Portanto, é melhor aguardar, ainda que a pressão seja imensa.

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