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Sub-20 faz Brasil acender a luz amarela

Mesmo ficando com a quarta colocação, o que deu o direito de disputar o Mundial da categoria, a seleção não apresentou bom futebol e indica que se nada for feito, em breve, o Brasil correrá riscos para se classificar à Copa do Mundo.

Maurício Capela

09 de fevereiro de 2015 | 15h27

Quase ninguém reparou… Melhor. Talvez poucos tivessem tido tempo de acompanhar, mas o Campeonato Sul-Americano de Futebol Sub-20 chegou ao fim no último fim de semana. E a julgar não só pelo desempenho na classificação final do torneio, mas principalmente pelo futebol exibido dentro de campo, o Brasil deveria perder noites e noites de sono.

Se o Brasil não olhar a partir de agora para suas categorias de base, o País corre o sério risco de não se classificar para uma Copa do Mundo em um horizonte de dois ou três mundiais. E aqui não é exercício de futurologia. É a simples junção das peças de um quebra-cabeça que se emoldura campeonato após campeonato.

Sim, porque a safra deste Sul-Americano deu sinais claros de que no enfrentamento com os tradicionais rivais não consegue impor seu jogo. E pior, já não mete mais medo.

No entanto, pressionar a molecada verde-amarela pouco resolve.  As más apresentações e as três derrotas sofridas no torneio para tradicionais rivais somente compõem um conjunto de uma obra completamente desafinada. O Brasil, de fato, anda dançando demais no mundo da bola, sem que consiga acompanhar o passo da melodia.

Nem mesmo a quarta colocação neste torneio, que deu ao País a vaga no Mundial Sub-20, que será disputado na Nova Zelândia a partir de maio próximo, serve de prêmio de consolação. Na verdade, os meninos do País somente fizeram a mínima obrigação.

Além disso, o que também preocupa é como o Brasil foi derrotado nos jogos diante de Uruguai, Argentina e Colômbia, porque a Seleção não conseguiu sequer balançar as redes desses adversários. Ou seja, perdeu todos os jogos sem marcar um gol. 

Como o futebol que ostenta cinco mundiais e que revelou um sem número de excepcionais atacantes pode aceitar perder para Argentina, Uruguai e Colômbia sem marcar um gol? Um único gol? Se isso não for crise aguda, profunda e de difícil solução, então, o que é?

Mesmo sendo difícil encontrar uma resposta, o que não se pode, é creditar o mau desempenho no torneio a um esquema tático ou filosofia de jogo, que tenham sido adotados pelo treinador Alexandre Gallo. O problema é maior. O Brasil não revela em quantidade e em qualidade, como um dia já revelou.

Mais. A velha máxima de que “brota talento no futebol brasileiro” torna-se impossível de ser repetida atualmente. E acreditar nisso, talvez, seria o equívoco final que poderá tirar do Brasil o status de “País do Futebol”.

O problema, portanto, está aí. Tem raiz, o modelo de futebol de base adotado pelos clubes, e ramificação, o futebol profissional e a Seleção Brasileira. Faltam apenas soluções, que passam longe de “jeitinhos”, “gambiarras” ou “jogadas”. Dialogam mesmo é com “reestruturação”, “investimento” e “trabalho em conjunto”.  É preciso colocar o “discurso” no banco de reservas e dar a titularidade para a “prática”!

 

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