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Thiago Silva, a estrela brasileira na Seleção da Copa América

Zagueiro foi o único brasileiro na lista dos 11 melhores da primeira fase do torneio, reforçando a necessidade por uma reformulação estrutural e cultural da prática do futebol no Brasil.

Maurício Capela

23 de junho de 2015 | 15h22

Um brasileiro… Apenas um jogador brasileiro se faz presente na Seleção da primeira fase da Copa América deste ano. E não, não se trata de Neymar Júnior. A bola da vez responde pela alcunha de Thiago Silva, o capitão do Brasil na Copa do Mundo de 2014.

A presença de Thiago Silva entre os 11 melhores da competição não causa surpresa alguma a este blog. Tecnicamente, Thiago Silva é bom! Um dos melhores da posição no mundo e reúne capacidade suficiente para formar uma memorável dupla ao lado de Miranda no Brasil.

No entanto, o que desperta a curiosidade é a ausência de outros companheiros de Thiago Silva na Seleção da competição. Algo que cala fundo e mostra claramente o atual estágio de nosso futebol. O Brasil hoje é um rascunho daquele que se apossou, com méritos, da honraria de “país do futebol”!

Hoje, o País assiste boquiaberto a ausência de talentos não só na Seleção da Copa América, mas no futebol brasileiro de maneira geral. Hoje, o Brasil não tem, na condição de selecionável, atletas como o colombiano Cuadrado ou os chilenos Aránguiz e Vidal. E tampouco atacantes da categoria do paraguaio Barrios ou do argentino Agüero.

Mas esse cenário, esse cenário de desarticulação do futebol verde-amarelo, não começou ontem e tampouco hoje. É um movimento paulatino, perene e consistente, que aponta na direção do início do século XXI. É uma desarticulação estrutural, mas também cultural.

Estrutural, porque os clubes perderam a conexão direta com suas categorias de base. Promovem cada vez mais cedo jovens atletas, motivados pela necessidade e não pela oportunidade.

Como estão permanentemente em crise financeira, virou regra, e não exceção, se valerem dos “meninos” para tapar os buracos no time de cima. E o resultado é que qualquer oferta de equipes de outros centros da bola acaba sendo uma saída, mantendo intacta essa lógica.

Por que cultural? Porque o garoto brasileiro diminuiu o interesse pela bola. Pelo menos é essa a sensação quando se circula país adentro.

Com a forte urbanização das metrópoles, o garoto tem dificuldade para bater bola na rua de casa, no campinho da esquina (que já desapareceu muitas vezes) e o que sobra é a quadra de futebol de salão dos grandes condomínios.

Além disso, a violência que tomou conta dos estádios, associada a impunidade, tirou o prazer do pai pegar o filho pela mão e levá-lo ao estádio. E esse é um duro golpe! Talvez o pior!

Sem a conexão imediata futebol na televisão-na rua de casa-estádio não há identificação que resista. O garoto que gosta do esporte, então, limita-se a prática virtual, o videogame. E imagina tudo e mais um pouco, mas não pratica, porque não há articulação para a prática.

Sem resolver esse dilema, a qualidade das peneiras vai diminuir ano após ano. E se antes a quantidade servia à qualidade, agora, joga contra, simplesmente porque não há um número tão grande assim à espera na porta dos clubes.

Então, se nada for feito, se tudo continuar do jeito que está, o resultado será esse mesmo. Raros talentos e pouca quantidade em clubes do Brasil, e consequentemente poucos atletas brasileiros em times estrangeiros de ponta, e na Seleção.

Em outras palavras, nessa toada, ganhar outra Copa do Mundo será algo tão distante, que somente será possível no videogame!

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