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Turbulência Tricolor

Fim do "casamento" entre Unimed-Rio e Fluminense coloca em xeque o modelo de parceria entre clube e empresa que dominou o futebol no Brasil nas últimas duas décadas.

Maurício Capela

10 de dezembro de 2014 | 16h31

É do jogo… Acontece no Brasil, na Inglaterra ou no Japão, mas o fim da parceria entre Unimed-Rio e Fluminense lança um sinal de fumaça no horizonte e espalha a dúvida: se o modelo que aproximou clubes e empresas uns dos outros no País nos últimos anos chegou ao fim ou, no mínimo, se o momento agora é de apertar o cinto.

Ao longo das últimas duas décadas, clubes brasileiros e empresas costuraram os mais diversos acordos. Mas se teve um que foi emblemático, foi o aperto de mãos entre a Sociedade Esportiva Palmeiras e a Parmalat. Além de títulos e verdadeiros craques de bola, a parceria trouxe de volta ao Palmeiras o prestígio que unilateralmente o abandonou no fim dos anos 70.

Mas quando o acordo entre os “fratelli” chegou ao fim, ao Palmeiras restou o gosto amargo da memória. O clube iniciou a filosofia do “bom e barato”, o que lhe custou o primeiro rebaixamento à segunda divisão nacional na era moderna do futebol. Neste caso, não vale as taças de Prata, aviso!

No Fluminense, a história não é igual, mas guarda lá alguma semelhança. Quando a Unimed-Rio desembarcou nas Laranjeiras, o clube disputava a nada agradável terceira divisão nacional. Portanto, poucas vezes um aperto de mãos foi tão desejado como aquele.

Com o acordo firmado, o clube não só faturou a terceira divisão em 1999, como de quebra sagrou-se campeão brasileiro em 2010 e 2012, além de conquistar campeonatos cariocas, a Copa do Brasil em 2007 e quase ver o sonho de ser o melhor da América virar realidade em 2008.

Agora, ao Fluminense cabe passar os olhos nas entrelinhas deixadas pelo exemplo palmeirense… E evitar o “eu sou você amanhã”.

Os primeiros sinais da Laranjeira dão conta de que o clube já vinha imaginando e conversando sobre o fim da parceria. Ótimo! Assim, o Flu não terá que conviver com o gosto amargo das memoráveis glórias.

Se já imaginava e conversava, o trabalho atual, então, é se virar para manter o elenco qualificado que tem em mãos. Fred, Conca, Cícero, Rafael Sóbis, entre outros… São todos atletas de ponta, que naturalmente vão entrar no radar de clubes daqui e do exterior.

Mas reconheça-se, essa tarefa é tão dura quanto um Fla-Flu daqueles dos anos 80. Até porque a retirada da Unimed-Rio se dá em um momento em que a economia no Brasil e no mundo está longe do oásis do meio da década passada, ou seja, o baque não é particularmente tricolor, ele atinge indiscriminadamente todas as cores.

Portanto, no apito final da contabilidade, o que se percebe é que a bonança no futebol brasileiro chegou ao fim. A era dos salários nababescos, dos altos valores de patrocínio e das contratações de astros, ainda que em fim de carreira, internacionais passaram a ser memória.

O que se avizinha é um céu repleto de turbulência, onde quem gerir melhor, é quem levará o clube adiante dentro e fora de campo. Em outras palavras, títulos só desembarcarão nas sedes dos times se a gestão for repleta de craques, caso contrário um passo em falso levará a agremiação ao cadafalso das divisões inferiores da bola no Brasil.

É um cenário tão complexo que se estende até Brasília, a capital da República, onde discussões sobre a aprovação de uma lei de responsabilidade fiscal para os clubes ganhou ares de jogo decisivo.

Portanto, a decisão da Unimed-Rio não é um chute isolado em direção à arquibancada. Mas sim o começo do fim de um complexo “sistema tático” que amparou o futebol no País nos últimos 20 anos.

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