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Violência no futebol: padrão-Brasil

Mesmo com arenas padrão-Fifa, violência nos estádios continua padrão-Brasil, o que prejudica toda lógica de negócio que deveria ser a base da recuperação do futebol brasileiro dentro de campo.

Maurício Capela

23 de janeiro de 2015 | 16h26

O problema não é novo, é velho e não há novidade alguma no fenômeno. A cada início de temporada, mas pode também surgir no meio ou no fim, a violência resolve chamar o jogo para si em um espetáculo deprimente, que parece não sensibilizar quem traz consigo a caneta à mão.

Colocar um ponto final nessa desagradável tabelinha entre futebol e violência no Brasil parece estar longe das prioridades de autoridades do esporte ou não. O resultado é que violentos torcedores sentem-se livres, como se tivessem tido entrada franca, nas arenas e estádios espalhados pelo País.

Tocam o terror, como se diz por aí, sem a menor cerimônia. E ignoram data, local e hora. Basta ter duas camisas importantes, um punhado de interesse em jogo e pronto, eis a receita. Foi assim na partida amistosa entre Flamengo 1 x Vasco 0, foi assim no jogo de juniores de São Paulo 0 x Corinthians 3.

Juniores, atente! Não se trata de um jogo de final de campeonato ou mesmo rebaixamento, o que obviamente também não justificaria, mas falamos de um torneio, cujo principal propósito é revelar novos talentos. Deprimente!

A violência campeia pelos estádios como se não houvesse amanhã. É nefasta, porque destrói o negócio futebol, tira a competitividade dos clubes e empobrece a festa das arquibancadas. E não precisa de muito para entender que investidor não gosta de baderna generalizada.

Trocando em miúdos, quem vai colocar dinheiro para valer no futebol brasileiro se um torcedor não pode comprar a camisa de seu clube, com um patrocinador estampado, e desfilá-la livremente na avenida Paulista ou na avenida Brasil, na Savassi em Belo Horizonte ou na avenida Ipiranga de Porto Alegre? Quem?

O resultado dessa balbúrdia desemboca nos clubes, que perdem recursos, afetando sua competitividade, que já sofre muitas vezes de má gestão, e se vendo obrigados a cada janela europeia a negociar seus principais valores. Ou seja, vende-se o artista, mas não o espetáculo, porque espetáculo pressupõe organização e segurança, algo que não existe. Uma vergonha!

Recuperar o futebol praticado dentro de campo exige um sem número de medidas, que não caem do céu. É preciso dinheiro para tirá-las do papel. E para ter recursos é preciso ter torcida no campo, valorizando o espetáculo, que naturalmente atiçará ainda mais a televisão e potenciais patrocinadores.

O futebol brasileiro precisa de um sério ciclo virtuoso, que passa pelo encadeamento citado acima. O futebol brasileiro precisa de regras que saiam do papel e invadam a realidade. E precisa de fiscalização, de organização e de cumprimento à lei.

O futebol brasileiro precisa se livrar de quem não tem interesse no espetáculo. É preciso devolvê-lo ao seu verdadeiro dono: a criança que vai com os pais, com a família, o avô que leva os netos, o adolescente, o jovem adulto, o adulto que mata saudades de seu tempo de criança.

Neste começo de 2015, o futebol verde-amarelo pede novamente socorro à espera de quem alguém o ouça. E essa deveria ser a torcida, talvez a única que importe, dos verdadeiros torcedores de futebol!

 

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