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Wendell Lira e seu conto de fadas

Atacante do Vila Nova fatura o Prêmio Puskas, concedido pela Fifa ao gol mais bonito de 2015, mas talvez seu maior feito tenha sido o de chamar a atenção para os jogadores do interior do Brasil.

Maurício Capela

11 de janeiro de 2016 | 16h39

O futebol e as suas… Suas sinuosas trilhas em direção ao pódio. O prêmio de gol mais bonito de 2015, dado pela Fifa e justamente chamado de Puskas, de novo, parou no Brasil. Um país que já há algum tempo não levanta uma Copa do Mundo e tampouco tem mostrado força para ganhar a Bola de Ouro, honraria também sob a chancela Fifa que elege o melhor jogador do mundo a cada ano. Em 2015, novamente foi a vez de Lionel Messi faturá-la pela quinta vez.

Messi, contudo, é um capítulo à parte, assim como o atacante brasileiro Wendell Lira. Aos 27 anos já completados em 2016, Lira parece sentir que o ano lhe reserva uma mudança de patamar.

Agora, jogador do Vila Nova, clube que acabou de subir para a Série B, o atacante poderá recuperar àquela sensação de promessa quando surgiu no Goiás em 2007 em um jogo contra o São Paulo.

É claro, contudo, que trata-se de um gol, um único gol, mas quando um jogador conquista um prêmio desse tamanho por um clube pequeno do futebol brasileiro surgem questionamentos. O mais comum é, como ninguém viu esse garoto antes? Por que os clubes mais fortes do Centro-Oeste, seu berço futebolístico, só agora o recrutaram novamente, levando em consideração que Goiás, Vila Nova e Atlético Goianiense estiveram nos últimos anos na elite no Nacional?

Assim como Lira, certamente existem alguns outros casos por aqui. Talvez algumas dezenas. E qual será o resultado? Simples, a febre do entusiasmo. Agora, sob a regência da euforia, apostas de toda sorte vão emergir, com pouco critério, próprio de uma corrida do ouro.

O ideal é que não seja nem lá, nem cá. Ao futebol brasileiro deveria caber o equilíbrio, o equilíbrio da reflexão. Ninguém deve entender que agora Lira será Neymar, o outro brasileiro a faturar o Puskas pelo antológico gol contra o Flamengo em 2011.

Lira continuará sendo Lira, agora atacante do Vila Nova. Demonstrará se realmente apresenta essa mobilidade pelos lados do campo que mostrou no Goianésia e se seu faro de goleador será apurado nesta temporada.

Contudo, a principal contribuição de Lira talvez não tenha sido o prêmio, mas sim o de virar os olhos do futebol brasileiro para dentro de si. Não só pela busca de novos talentos pelo interior do País, mas pelo entendimento de que não existe time grande sem pequeno. E campeonato bom não é aquele que tem duas superpotências. Competição boa é aquela que tem equilíbrio e para isso é preciso fazer o clube menor sonhar, assim como Lira sonho e desejou o seu conto de fadas.

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