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Zé Roberto, um craque discreto!

Contratado por um ano, o novo reforço do Palmeiras tem tudo para reeditar uma dupla genial com Valdívia.

Maurício Capela

23 de dezembro de 2014 | 15h09

Craque! Eis uma palavra que requer no uso, o mesmo talento de seu significado. Ainda que hoje o verbete apareça com frequência nos campos mundo afora do discurso, o desafio de empregá-lo corretamente permanece intacto.

Um desafio que hoje se personifica na mais recente contratação do Palmeiras: Zé Roberto. Afinal, Zé Roberto merece a honraria?

Desde que surgiu na Associação Portuguesa de Desportos, Zé Roberto já dava sinais de que era diferente. E não, não era uma diferença física que pudesse fazer qualquer um crer que o jogador chegaria com fôlego e fome de bola aos 40 anos. A diferença era técnica!

Zé Roberto era um desses laterais que sabia o que fazer com a bola. Driblava conscientemente e tinha dificuldades em conjugar o verbo “rifar” quando pisava no gramado.

Não à toa, na reta final daquele Campeonato Brasileiro de 1996, Candinho, o então técnico da Lusa, o escalou no meio de campo em alguns jogos. E ele foi fundamental no vice-campeonato.

Depois, quando pisou na Alemanha foi abandonando a posição de lateral, caminhando em direção ao meio de campo, muitas vezes, fazendo uso também de seu poder de marcação. Tanto que chegou também à Seleção Brasileira como marcador.

Mas foi no Santos que Zé Roberto demonstrou de maneira definitiva que tinha muita bola, muita mesmo…. Escalado como meia de criação, Zé Roberto só não fez chover na Vila Belmiro.

Depois do Santos, foram poucos os treinadores que se aventuraram a escalar Zé Roberto na lateral do campo. Poucos… Até que Zé Roberto encontrou-se com seu algoz de 1996, Luiz Felipe Scolari, no Grêmio.

Felipão não teve dúvidas e sem cerimônia trouxe Zé Roberto novamente para lateral do campo. Mas Zé já não era mais o garoto da Lusa e sim o veterano quarentão do Grêmio. Problemas? Potencialmente, todos! Mas Zé não só deu conta, como arrebentou na sua posição de origem.

Agora, Zé Roberto estará de volta ao futebol paulista que o projetou tão bem. Provavelmente, viverá dias longe da lateral que também o alçou a voos longos. E poderá reeditar uma dupla criativa de qualidade no Palmeiras, ao lado de Valdívia.

Mas mesmo que fracasse, mesmo que não consiga render o que sempre rendeu ou que a idade lhe pese, Zé Roberto jogou em nível tão alto pelo lado esquerdo, como marcador no meio de campo e como cérebro de muitas equipes que a resposta à pergunta lá de cima não pode ser outra… Sim, Zé Roberto é craque. Um craque discreto, calado, mas craque!

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