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A atitude do São Paulo

Luiz Zanin Oricchio

23 de abril de 2015 | 09h48

 

 

Tive um editor (são-paulino, por sinal) que detestava a palavra “atitude”. De fato, em determinada época, esse termo servia para tudo. Se um time melhorava, era porque tinha atitude. Se outro perdia, faltara atitude. E assim deixava-se de lado a parte técnica, o aspecto tático, etc. Toda explicação, quando se torna generalizada, contribui para o emburrecimento geral. Fica o registro.

Mas como chamar de outra coisa senão de atitude o que o São Paulo apresentou diante do Corinthians e que tinha deixado de mostrar em jogos anteriores? Onde foi parar aquele time apático dos últimos tempos? Aquele que praticamente sucumbiu sem luta diante do Santos, nas semifinais do Paulista? Não, o que vimos ontem no Morumbi foi um time com a faca nos dentes, mordendo, encurralando e atacando. O leitor me perdoe essas metáforas bélicas e que remetem ao atacante uruguaio Luis Suárez, o mordedor da Copa. Acontece que time que não se impõe fracassa mesmo.

Ok, no jogo de ontem houve outras circunstâncias. Émerson foi expulso de maneira injustificada, a meu ver. Aliás, o árbitro Sandro Meira Ricci, em sua fome de cartões, parecia mesmo disposto a arruinar o espetáculo, o que em parte conseguiu. Também havia o Corinthians que, na verdade, não lucraria tanto com a vitória. Mais: quando perdia por apenas 1 a 0, enfrentaria o Atlético Mineiro. Perdeu por 2 a 0 e pega o Guarani, do Paraguai. Coincidência? Não sei. Não quero insinuar nada, mesmo porque o propósito deste texto é falar do São Paulo.

O que mudou de domingo para cá? Nada, em aparência. Os jogadores são os mesmos. O treinador (interino) é o mesmo. É a mesma a presidência falastrona. A torcida fez a sua parte. Lotou o Morumbi. Incentivou. Cantou e vaiou o adversário. Fez coro de “bicha” a cada cobrança de tiro de meta do goleiro corintiano. Enfim, foi torcida, daquele tipo que carrega um time nos ombros. Isso só explica? Acho que não. A torcida incendiou o Morumbi porque o time correspondeu em campo. Se entrasse no jogo com a moleza que vinha apresentando, levaria vaia.

O que mudou então? Mudou a cabeça dos jogadores. Devem ter se sentido humilhados com os comentários que todos faziam e resolveram mostrar que honram os calções que vestem. O grande mistério: por que não o fizeram antes e esperaram ser tão duramente criticados para reagir? Outra questão: essa atitude, com o perdão do meu querido ex-editor Negrão, será mantida nos próximos jogos? A ver.

Nota: saldo positivo para os brasileiros nesta primeira fase da Libertadores. Os cinco passaram. Acontece que, na próxima fase, matam-se entre si. O Internacional pega o Atlético-MG. O O Cruzeiro enfrenta o São Paulo. Enquanto isso, o Corinthians joga contra o Guarani, do Paraguai. Sorte, né?