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A euforia e o luto

Luiz Zanin Oricchio

26 de dezembro de 2011 | 23h06

São Paulo e Santos curtem a ressaca da desclassificação da Libertadores e o Palmeiras ainda se refaz da conquista do título. Essas têm sido as explicações para o pífio começo dos “grandes” paulistas na série A do Campeonato Brasileiro. O Palmeiras está em 10º lugar, o Santos em 14º, o São Paulo em 17º. É só o começo. Mas é um mau começo.
Quem assistiu ao jogo entre Palmeiras e Portuguesa, viu um Palestra bastante relaxado. O técnico enxergou a mesma coisa e ficou muito irritado. Está faltando foco, concentração. Como diz Muricy, a bola pune. Pune sobretudo a soberba, esse que é um dos sete pecados capitais e talvez seja o primeiro em se tratando desse traiçoeiro jogo da bola. Algum anjo mau deve ter assoprado nos ouvidos dos boleiros palmeirenses que eles são astros e melhores que os adversários. Estão enganados. Há bons jogadores no Palestra e o time é, potencialmente, um dos melhores do País. Mas, como se diz, salto agulha atrapalha um pouco os movimentos.
Se o Palmeiras não saiu ainda do nirvana da conquista do Paulistão, Santos e São Paulo curtem seus maus momentos por conta da ressaca oposta – a eliminação da Libertadores, o torneio mais cobiçado pelos brasileiros.
Nesse ponto, abro parêntese. Estou de pleno acordo quanto à importância do antigo torneio sul-americano (com a inclusão do México, por uma aberração geográfica, não sei mais como qualificá-lo). Acho a Libertadores o torneio mais lindo do mundo. Até pelo nome. Dito assim, sem a intrusão da marca do patrocinador, parece até música: “Libertadores da América”, nome que evoca heróis de outrora, históricas sagas antiimperialistas, um perfume insurgente tão adequado para este 2008, quando comemoramos 40 anos das lutas libertárias de maio de 1968. Enfim, por outros motivos mais práticos, entre eles por ser a disputa da maior escola de futebol do mundo, a sul-americana, a Libertadores deve ser considerada o máximo. Mesmo que a tal escola sul-americana esteja depauperada, pois seus melhores astros já não jogam aqui, a Libertadores conserva a antiga mística.
Enfim, a Libertadores pode ser o máximo e mais alguma coisa, mas não acho que se deva transformar em obsessão dos clubes brasileiros. Andamos tão fascinados por ela que todas as outras competições passaram a contar somente quando referenciadas à Libertadores. A Copa do Brasil, em si, parece que não vale nada. Mas, como se diz, “é o caminho mais curto para a Libertadores”. O próprio Campeonato Brasileiro, cujo título deveria ser o mais cobiçado, é visto como aquele que garante quatro vagas para a Libertadores. Tudo passou a ser feito em função da Libertadores, inclusive a formatação dos elencos. O São Paulo tem montado times fisicamente fortes porque existe o entendimento de que essa é uma exigência para disputar a Libertadores.
E, nesse ponto, fecho o parêntese. Uma coisa é valorizar uma competição, outra transformá-la em obsessão. Quem se obceca por algum objeto, fica paralisado ao perdê-lo. Mas não é assim. A vida continua. E é bom que Santos e São Paulo curem logo suas feridas, mesmo porque têm encontro marcado no fim de semana. É a chance de se reabilitar jogando o adversário na crise. Quer melhor oportunidade?
E há outra coisa: se desejavam tanto assim Libertadores, por que Santos e São Paulo não se prepararam melhor para o torneio? Ao invés de começarem a fritar os técnicos, seria talvez melhor as diretorias dos dois clubes assumirem a responsabilidade pelos erros no planejamento. Sempre é tempo de corrigi-los. Nem que seja para a próxima Libertadores, se é que não conseguem tirá-la da cabeça.

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